Protestos em Minnesota contra política de imigração de Trump ganham apoio inédito de grupos pró-armas
Milhares de moradores de Minnesota tomaram as ruas em uma onda de protestos contra a política anti-imigração do ex-presidente Donald Trump, em resposta à morte a tiros do enfermeiro Alex Pretti em Minneapolis. O incidente, ocorrido no fim de semana passado, envolveu agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e gerou uma reação pública intensa, com manifestantes homenageando a vítima e exigindo justiça.
Críticas inesperadas de associações pró-armas
Em um desenvolvimento surpreendente, grupos tradicionalmente alinhados ao Partido Republicano começaram a se unir às críticas à gestão Trump. Pelo menos duas associações pró-armas condenaram publicamente declarações de integrantes do governo norte-americano que sugeriram que Pretti não deveria estar armado durante o protesto. Essa posição chama a atenção porque essas organizações são historicamente resistentes à regulamentação da venda e do porte de armas de fogo no país.
A principal organização pró-armas dos EUA, a National Rifle Association (NRA), manifestou-se indiretamente sobre o caso. Ao responder a uma mensagem do procurador-geral dos EUA para a Califórnia, Bill Essayli, a associação afirmou que "os representantes públicos deveriam aguardar uma investigação completa, em vez de fazer generalizações e demonizar os cidadãos cumpridores da lei".
Controvérsia sobre a presença de armas no protesto
O Departamento de Segurança Interna dos EUA declarou que Alex Pretti portava uma arma durante o protesto no qual foi alvejado por agentes de imigração. No entanto, vídeos que registraram o momento dos tiros não mostram o enfermeiro sacando o objeto, levantando dúvidas sobre a versão oficial.
Autoridades do governo, incluindo a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e o diretor do FBI, Kash Pattel, vieram a público defender a ação do ICE e criticar o fato de Pretti estar armado. Noem afirmou que "a manifestação é violenta quando há alguém que aparece lá com armas", enquanto Pattel sugeriu que a vítima não deveria portar uma arma na ocasião.
Em resposta, Taylor Rhodes, porta-voz da Associação Nacional pelos Direitos às Armas, declarou ao jornal "Wall Street Journal" que "a primeira coisa que os políticos querem fazer é culpar a arma". Rhodes revelou que já participou de centenas de manifestações portando armas, defendendo o direito constitucional ao porte.
Contraste com o caso Kyle Rittenhouse
Nas redes sociais, usuários apontam um contraste marcante entre o tratamento dado a Alex Pretti e o caso de Kyle Rittenhouse em 2020. Rittenhouse, então com 17 anos, foi a uma manifestação antirracista em Kenosha armado, supostamente para apoiar policiais contra manifestantes. Ele atirou e matou duas pessoas, além de ferir uma terceira, mas foi absolvido por um tribunal que considerou legítima defesa.
Na época, os republicanos tomaram majoritariamente o partido de Rittenhouse, argumentando que ele estava amparado pela Constituição americana ao portar uma arma. Esse precedente torna a crítica atual dos grupos pró-armas ao governo Trump ainda mais significativa, expondo possíveis contradições na postura do Partido Republicano em relação ao direito ao porte de armas em contextos de protesto.
Os protestos em Minnesota continuam a mobilizar a comunidade, com demandas por transparência na investigação da morte de Alex Pretti e por revisões nas políticas de imigração e segurança. A união inédita de vozes pró-armas às críticas pode influenciar o debate político nacional sobre esses temas sensíveis.