Zelenski nomeia general da inteligência como chefe de gabinete após escândalo
General Kirilo Budanov é novo chefe de gabinete na Ucrânia

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, realizou uma mudança significativa no alto escalão do seu governo nesta sexta-feira (2). Ele nomeou o general Kirilo Budanov, comandante da inteligência militar, como o novo chefe de gabinete da Presidência.

Substituição em meio a escândalo de corrupção

Budanov assume o lugar de Andii Iermak, que era considerado o braço direito de Zelenski. Iermak perdeu o cargo em novembro após ser acusado de envolvimento em um grande escândalo de corrupção que abalou o governo ucraniano durante o período de guerra.

As investigações apontam para um suposto desvio de pelo menos US$ 100 bilhões (cerca de R$ 543 bilhões) do setor de energia do país. O caso também resultou na queda dos ministros de Energia e da Justiça. Iermak foi alvo de um mandado de busca e apreensão, mas até o momento não foi formalmente acusado de nenhum crime.

Novo foco em segurança e diplomacia

Em comunicado oficial, Zelenski justificou a nomeação afirmando que a Ucrânia precisa de maior concentração em questões de segurança, desenvolvimento das Forças Armadas e negociações diplomáticas. O presidente declarou que o gabinete presidencial trabalhará para cumprir essas tarefas.

"Kirilo tem ampla experiência nessas áreas e a força necessária para entregar resultados", afirmou Zelenski sobre o novo chefe de gabinete.

Perfil do novo chefe de gabinete

Kirilo Budanov, de 39 anos, comanda a inteligência do Exército ucraniano desde 2020. Durante a guerra contra a Rússia, ele coordenou uma série de operações especiais, incluindo trocas de prisioneiros com Moscou. Sua experiência em assuntos de segurança e inteligência foi um fator decisivo para a escolha.

Andii Iermak, de 54 anos, é amigo de Zelenski desde a época em que o presidente trabalhava como comediante na televisão russa e ucraniana. A investigação contra ele foi conduzida por duas agências anticorrupção: o Escritório Nacional Anticorrupção e a Procuradoria Especializada Anticorrupção.

Pressão interna e externa

Em junho, essas agências foram alvo de polêmica quando Zelenski tentou retirar seu poder de investigar autoridades de alto escalão, como era o caso de Iermak. A medida gerou os primeiros grandes protestos de rua contra o presidente desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022.

Diante da pressão interna e dos aliados internacionais, que já doaram cerca de US$ 1,5 trilhão (aproximadamente R$ 8 trilhões) para o esforço de guerra ucraniano, Zelenski recuou da proposta. Os países doadores demonstram preocupação com a destinação dos recursos enviados ao país em conflito.

A nomeação de Budanov representa uma tentativa de Zelenski de reforçar a imagem de combate à corrupção e de focar nas prioridades militares e de segurança, em um momento crítico para a Ucrânia.