Boicote à Copa do Mundo 2026: Parlamentares europeus reagem à obsessão de Trump pela Groenlândia
Europa ameaça boicotar Copa 2026 por causa de Trump e Groenlândia

Parlamentares europeus propõem boicote à Copa do Mundo 2026 em resposta a Trump e Groenlândia

A tensão diplomática entre os Estados Unidos e a Europa, alimentada pela obsessão do ex-presidente Donald Trump com a Groenlândia, agora ameaça transbordar para o mundo do esporte. Parlamentares de países como Alemanha e Reino Unido estão defendendo publicamente que suas seleções nacionais de futebol boicotem a Copa do Mundo de 2026, que será sediada parcialmente nos Estados Unidos, além de México e Canadá.

Escalada da crise da Groenlândia e impacto no futebol

Nas últimas semanas, Trump tem intensificado seu discurso sobre uma possível anexação da Groenlândia, uma vasta ilha do Ártico que pertence à Dinamarca. A Casa Branca, sob sua influência, expressou interesse em comprar o território, mas não descartou o uso de força militar, gerando uma escalada de tensões sem precedentes com aliados europeus e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Esse debate ultrapassou as fronteiras da política tradicional e invadiu o cenário esportivo. O deputado federal alemão Jürgen Hardt, em entrevista ao jornal BILD, argumentou que a participação da seleção alemã no Mundial deve ser reavaliada como uma forma de pressionar Trump a reconsiderar sua postura sobre a Groenlândia. "A presença da seleção do país no Mundial deve ser avaliada para trazer Trump à razão diante da questão da Groenlândia", afirmou Hardt.

Apoio popular e posicionamentos no Reino Unido

Entre a população alemã, a ideia de boicote também ganha força. Uma pesquisa realizada pelo instituto INSA, entre 15 e 16 de janeiro, ouviu 1.002 alemães sobre o tema. Os resultados mostraram que 47% dos entrevistados apoiam o boicote, enquanto 35% rejeitam a proposta, e 18% permaneceram indecisos ou não opinaram.

No Reino Unido, o parlamentar conservador Simon Hoare endossou a proposta, sugerindo que a saída da seleção inglesa da competição serviria como um protesto eficaz contra Trump. "(Trump) é sensível, tem um ego inflado e não gosta de passar vergonha. A visita de Estado do Rei Charles aos EUA deve acontecer? As seleções de futebol devem jogar em estádios americanos na Copa do Mundo? Essas são coisas que envergonhariam o presidente em casa. É necessário combater fogo com fogo", declarou Hoare.

Outro deputado britânico, Luke Taylor, do Partido Democrata, também defendeu medidas como o cancelamento da visita do Rei Charles III aos Estados Unidos e o boicote à Copa do Mundo. Segundo ele, essas ações poderiam demonstrar a Trump que "a única coisa que ele considera relevante é o próprio orgulho".

Diplomacia em jogo e cenário atual

Apesar das fortes declarações, a ministra britânica das Relações Exteriores, Yvette Cooper, afirmou que o Reino Unido continuará buscando um diálogo diplomático com os Estados Unidos para resolver as questões em aberto. Até o momento, nenhum país europeu oficializou a saída da Copa do Mundo de 2026, mas a pressão política e a opinião pública indicam que o tema deve permanecer em pauta nos próximos meses.

Essa situação ilustra como conflitos geopolíticos podem se infiltrar em eventos esportivos de grande magnitude, colocando em xeque a neutralidade tradicionalmente associada ao futebol internacional. A Copa do Mundo de 2026, que prometia ser uma celebração do esporte nas Américas, agora enfrenta o desafio de navegar por águas turbulentas da diplomacia global.