EUA Abandonam Acordo de Paris Pela Segunda Vez Sob Comando de Trump
EUA Saem do Acordo de Paris Novamente Sob Trump

EUA Deixam Acordo de Paris Pela Segunda Vez Sob Administração Trump

Os Estados Unidos saíram oficialmente do Acordo de Paris nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, marcando a segunda vez que o país abandona o tratado climático global durante o governo do presidente Donald Trump. Esta decisão histórica coloca os EUA ao lado de Irã, Líbia e Iêmen como as únicas nações que não participam do acordo internacional destinado a combater o aquecimento global.

Retirada Completa da Governança Climática

A medida não se limita apenas ao Acordo de Paris. O governo Trump também comunicou que os Estados Unidos se retirarão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o marco legal sob o qual o acordo foi adotado. Esta ação representa uma saída completa da mesa de negociações climáticas internacionais, removendo o país mais rico do mundo dos esforços globais para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Trump anunciou a decisão ao retornar à Casa Branca em 20 de janeiro, durante uma coletiva sobre o primeiro ano de seu segundo mandato. Na ocasião, o presidente fez uma série de críticas à política climática implementada por seu antecessor, o democrata Joe Biden, que havia reintegrado os EUA ao acordo durante seu governo.

Impacto nos Esforços Globais Contra Mudanças Climáticas

Especialistas alertam que esta retirada pode frear significativamente os esforços internacionais para combater o aquecimento global. Basav Sen, diretor do projeto de justiça climática do Institute for Policy Studies, comentou ao jornal britânico The Guardian que a postura americana envia uma mensagem preocupante à comunidade internacional.

"É quase como se eles estivessem dizendo: não nos importamos com o que vocês querem de nós, seremos os vilões e vocês não podem nos contestar", afirmou Sen, destacando o caráter deliberado da decisão.

Contexto Histórico e Padrão de Retiradas

Esta não é a primeira vez que os EUA deixam o Acordo de Paris sob liderança de Trump. Durante seu primeiro mandato (2017-2021), o presidente já havia retirado o país do pacto, que foi posteriormente reingressado durante o governo Biden. O padrão de abandono de acordos internacionais se estende além do âmbito climático.

Na semana passada, os Estados Unidos também saíram oficialmente da Organização Mundial da Saúde (OMS), cumprindo uma promessa feita por Trump em seu primeiro dia de mandato. Esta retirada desencadeou uma crise orçamentária na agência da ONU, já que Washington contribuía com quase um quinto do financiamento total da OMS.

Contrapontos e Esforços Internacionais

Enquanto os EUA se afastam dos compromissos climáticos, outros países intensificam seus esforços. Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém, no Pará, Colômbia e Holanda anunciaram planos para sediar as primeiras negociações internacionais voltadas para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis.

Segundo dados do The Guardian, as fontes de energia renovável representaram mais de 90% da nova capacidade de geração de energia no ano passado, indicando uma tendência global de transição energética. No entanto, especialistas como Sue Biniaz, ex-enviada adjunta para o clima durante o governo Biden, alertam que a ausência americana pode retardar a ambição global.

"Sim, a economia real está caminhando na direção das energias renováveis, energia limpa, etc., mas ainda há um papel para o regime global em termos de enviar sinais políticos e impulsionar essa economia real", explicou Biniaz ao The Guardian. "Agora, essa ambição vai ficar para trás."

Consequências para Países em Desenvolvimento

A retirada americana tem implicações particularmente graves para nações mais pobres e vulneráveis às mudanças climáticas. Sem a participação do país mais rico do mundo, os esforços para ajudar essas nações a abandonarem os combustíveis fósseis e se adaptarem aos impactos climáticos podem ser comprometidos.

O posicionamento anticientífico da administração Trump não apenas torna as metas do Acordo de Paris mais difíceis de alcançar, mas também exclui os EUA dos mecanismos de cooperação internacional destinados a apoiar países em desenvolvimento na transição para economias de baixo carbono.