Em uma decisão que marca uma mudança significativa na política externa norte-americana, o Departamento de Transportes dos Estados Unidos revogou oficialmente, nesta quinta-feira (29), a ordem que proibia companhias aéreas americanas de voar para a Venezuela. A medida segue um anúncio prévio do presidente Donald Trump, que havia declarado a intenção de reabrir o espaço aéreo do país latino-americano.
Contexto da revogação
Segundo informações da agência de notícias Reuters, a revogação foi formalizada após uma conversa entre Trump e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. O republicano afirmou que "os americanos poderão visitar a Venezuela muito em breve", sinalizando um possível relaxamento nas tensões bilaterais que persistiram nos últimos meses.
Remoção das notificações de tráfego aéreo
A Federal Aviation Administration (FAA), órgão regulador da aviação nos EUA, removeu quatro notificações sobre tráfego aéreo nesta sexta-feira, incluindo uma específica que tratava do fechamento do espaço aéreo venezuelano. Essa ação técnica consolida a decisão política, permitindo que operações aéreas comerciais sejam retomadas.
Histórico da proibição
Em 29 de novembro, os Estados Unidos haviam recomendado que aviões comerciais evitassem sobrevoar a Venezuela, com Trump declarando em suas redes sociais: "A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor, considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela como totalmente fechado". Embora o presidente norte-americano não tenha autoridade legal para fechar o espaço aéreo de outro país, o posicionamento de porta-aviões e efetivos militares no Mar do Caribe desde agosto criou um cenário de pressão que, na prática, levou várias companhias aéreas a suspenderem voos que cruzavam ou tinham como destino o território venezuelano.
Desdobramentos políticos e econômicos
Trump também mencionou que grandes empresas petrolíferas americanas estão se dirigindo à Venezuela para novos projetos de prospecção, indicando possíveis interesses econômicos por trás da decisão. Este movimento ocorre em um contexto político complexo, onde a Venezuela tem sido governada por Delcy Rodríguez como presidente interina desde 3 de janeiro, após uma operação militar americana que resultou na captura e transferência do líder venezuelano Nicolás Maduro para uma prisão em Nova York.
A revogação da proibição de voos representa um passo importante na normalização das relações aéreas entre os dois países, embora permaneçam incertezas sobre o impacto a longo prazo na estabilidade regional e nas dinâmicas de poder na América Latina.