Pentágono planeja reduzir participação dos EUA em estruturas da OTAN, revela jornal
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos, conhecido como Pentágono, está elaborando planos para diminuir a participação do país em algumas estruturas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A informação foi divulgada pelo jornal The Washington Post na noite desta terça-feira (20), levantando questões sobre o futuro da aliança militar ocidental.
Medida afeta grupos consultivos e centros de treinamento
Segundo a reportagem, a estratégia do Pentágono prevê que os Estados Unidos deixem grupos consultivos da OTAN, além de outros órgãos da aliança. A medida foi interpretada pelo Post como um sinal do presidente Donald Trump de reduzir a presença militar norte-americana na Europa, embora fontes governamentais tenham afirmado que as ameaças recentes de Trump sobre a Groenlândia não estão diretamente relacionadas a essa decisão.
Os planos devem atingir ao menos 30 estruturas da OTAN, incluindo os chamados Centros de Excelência, que são responsáveis por treinar forças da aliança em diversas áreas de guerra. Grupos voltados para operações especiais e de inteligência também estão na lista de possíveis afetados.
Processo de retirada pode levar anos para se concretizar
Fontes do governo norte-americano explicaram que a estratégia não envolve uma saída imediata desses órgãos. Em vez disso, o plano é não renovar contratos à medida que forem vencendo, o que significa que o processo de retirada pode se estender por vários anos antes de ser totalmente implementado.
Essa abordagem gradual permite uma transição mais suave, mas também reflete uma mudança significativa na postura dos Estados Unidos em relação à OTAN, uma aliança que tem sido um pilar da segurança coletiva no Ocidente desde sua fundação em 1949.
Contexto político e declarações de Trump
A revelação ocorre em meio a uma crise diplomática entre os Estados Unidos e seus aliados europeus, provocada pelo interesse de Trump em adquirir a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca. Nesta terça-feira, o presidente fez declarações ambíguas sobre o assunto, respondendo a um repórter que perguntou até onde ele estaria disposto a ir para concretizar a aquisição: “Vocês vão descobrir”.
Trump também afirmou que fez mais pela OTAN “do que qualquer outra pessoa viva ou morta”, e anunciou que não participará de uma reunião do G7 proposta pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para discutir a questão da Groenlândia. Essas ações têm gerado tensões e levantado dúvidas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a cooperação internacional.
Implicações para a segurança e relações transatlânticas
A possível redução da participação dos EUA em estruturas da OTAN pode ter impactos profundos na segurança coletiva e nas relações entre os países membros. A aliança, que originalmente foi criada como uma resposta à ameaça soviética durante a Guerra Fria, enfrenta novos desafios no cenário geopolítico atual, incluindo a ascensão de potências rivais e ameaças cibernéticas.
Especialistas alertam que qualquer diminuição no envolvimento norte-americano pode enfraquecer a eficácia da OTAN e alterar o equilíbrio de poder na Europa. No entanto, o processo lento e gradual descrito pelas fontes oferece uma janela para negociações e ajustes, permitindo que os aliados se adaptem às mudanças.
Enquanto isso, o mundo observa atentamente as próximas movimentações do governo Trump e do Pentágono, que podem redefinir o papel dos Estados Unidos na maior aliança militar do planeta.