EUA planejam base permanente da CIA na Venezuela para influência pós-Maduro
EUA planejam base da CIA na Venezuela para manter influência

EUA planejam estabelecer base permanente da CIA na Venezuela para manter influência

Os Estados Unidos estão em processo de planejamento para estabelecer uma base permanente da Agência Central de Inteligência (CIA) na Venezuela, conforme revelado pela emissora americana CNN nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026. A iniciativa, liderada de maneira discreta pela CIA e pelo Departamento de Estado, tem como objetivo principal manter a influência norte-americana no país caribenho após a deposição do ditador Nicolás Maduro.

Papel crucial da CIA na transição política venezuelana

De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, o papel da CIA será primordial em meio à transição política e à instabilidade de segurança que assolam a Venezuela. A CNN destacou que, embora o Departamento de Estado continue sendo a principal presença diplomática dos EUA no país, a agência de inteligência será essencial para retomar a missão norte-americana, especialmente após o corte das relações diplomáticas por Maduro em 2019.

Uma fonte envolvida no processo de planejamento afirmou à emissora: "O Estado finca a bandeira, mas a CIA é quem realmente exerce influência". A agência busca retomar o contato com moradores locais e diferentes facções do governo venezuelano, além de fortalecer a segurança na região.

Sinais recentes e medidas concretas

Nos últimos meses, houve sinais claros da aproximação entre os EUA e a Venezuela:

  • O diretor da CIA, John Ratcliffe, foi o primeiro alto funcionário do governo Trump a visitar o país após a operação que levou à queda de Maduro, reunindo-se com a presidente interina Delcy Rodríguez e sua cúpula militar.
  • O Departamento de Estado anunciou a nomeação da diplomata Laura Dogu para liderar a Unidade de Assuntos da Venezuela.
  • Foram tomadas medidas iniciais para a reabertura da embaixada americana em Caracas.

Enquanto a sede diplomática não é reaberta, os funcionários dos EUA poderão operar a partir de um anexo da CIA, o que permitiria acesso a diferentes setores do governo venezuelano e à oposição. Um ex-funcionário do governo norte-americano explicou: "A criação de um anexo é a prioridade número um. Antes dos canais diplomáticos, o anexo pode ajudar a estabelecer canais de ligação com a inteligência venezuelana".

Inteligência estratégica e preocupações com adversários

As fontes indicaram que a CIA poderá oferecer informações sensíveis sobre adversários ao governo interino de Delcy Rodríguez, incluindo preocupações relativas à China, Rússia e Irã. Um ex-funcionário envolvido nas negociações detalhou: "Não será o Departamento de Estado que fará isso. O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional terá que decidir o que desclassificar para compartilhar, e então os agentes de inteligência farão o briefing".

Além disso, a agência poderá localizar pessoas que representem possíveis ameaças à segurança, seguindo um modelo similar ao utilizado em conflitos como a guerra na Ucrânia.

Contexto histórico e operação de captura de Maduro

Antes da queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, agentes da CIA já estavam presentes na Venezuela. Em agosto do ano anterior, a agência instalou secretamente uma pequena equipe para monitorar as atividades do ditador, facilitando a operação que levou à sua captura. O governo Trump contou com o apoio de uma fonte infiltrada no governo venezuelano, que rastreou os movimentos de Maduro.

Segundo reportagens anteriores, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram retirados de seu quarto por militares americanos durante a madrugada. O presidente Donald Trump afirmou em entrevista à Fox News que assistiu ao vivo à captura, transmitida por agentes envolvidos na missão. Atualmente, ambos estão presos no Brooklyn e alegam inocência.

Este movimento estratégico dos EUA reflete uma tentativa de reestabelecer a influência norte-americana na região, utilizando a inteligência como ferramenta central em um cenário de transição política complexa e instabilidade persistente na Venezuela.