EUA exigem dados de eleitores de Minnesota para retirar agentes do ICE de Minneapolis
EUA pedem dados de eleitores para retirar ICE de Minneapolis

Agentes federais estiveram presentes no local de um tiroteio ocorrido em Minneapolis neste sábado, 24 de janeiro, em um cenário de crescente conflito envolvendo o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, conhecido como ICE. As autoridades locais denunciaram uma exigência incomum do Departamento de Justiça norte-americano: a entrega dos dados dos eleitores do estado de Minnesota como condição para recuar seus agentes da região.

Escalada de tensões e mortes em confrontos

A demanda foi formalizada em meio a uma escalada significativa de tensões entre os agentes do ICE e a população de Minneapolis. Essa situação já resultou em protestos massivos, confrontos diretos nas ruas da cidade e, tragicamente, em duas mortes confirmadas. No sábado, um enfermeiro que participava de protestos contra a agência federal foi morto a tiros enquanto estava mobilizado. Anteriormente, no início de janeiro, um agente do ICE matou, também a tiros, uma mulher durante uma abordagem realizada em uma rua de bairro.

Carta da Procuradora-Geral e reação do estado

Em 24 de janeiro de 2026, a Procuradora-Geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, enviou uma carta ao governador de Minnesota, Tim Walz. O documento continha uma terceira solicitação específica: permitir que a Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça tivesse acesso completo às listas de eleitores de Minnesota. A resposta do estado foi imediata e negativa.

O Secretário de Estado de Minnesota, Steve Simon, afirmou com veemência que a carta representa uma tentativa ultrajante de coagir o estado a fornecer dados privados de milhões de cidadãos americanos ao governo federal. Segundo ele, isso violaria claramente tanto a lei estadual quanto a legislação federal, configurando um abuso de poder preocupante.

Operação do ICE e revolta popular

O ICE realiza desde dezembro uma ampla operação nas cidades de Minneapolis e Saint Paul, áreas conurbadas frequentemente chamadas de Cidades-Irmãs. O foco declarado da ação é anti-imigração, conforme destacado pelo Departamento de Segurança Interna. No entanto, a truculência observada nos métodos dos agentes durante a operação desencadeou uma revolta popular expressiva em Minneapolis.

Manifestações amplas contra a mobilização federal tomaram conta das ruas, resultando em confrontos diretos entre civis e agentes. Esses embates, infelizmente, culminaram nas duas mortes já mencionadas, intensificando o clima de crise e indignação na comunidade local.

Contexto político de Minnesota

Minnesota é um estado com um histórico político consistente, tendo elegido candidatos democratas nas últimas dez eleições presidenciais, desde a década de 1980. Tanto Joe Biden, em 2020, quanto Kamala Harris, em 2024, venceram Donald Trump nas urnas locais, reforçando um perfil eleitoral progressista que contrasta com as políticas de imigração mais duras associadas ao governo federal atual.

A carta do Departamento de Justiça, associada à administração Trump, levantou sérias dúvidas sobre os reais objetivos da Casa Branca nessa investida contra Minnesota. Especialistas questionam se a exigência por dados eleitorais seria uma manobra política para minar a base democrata no estado, sob o pretexto de operações de imigração.

Esta reportagem continua em atualização, com novas informações esperadas sobre o desenrolar das negociações e os possíveis impactos dessa crise na segurança pública e nos direitos civis dos cidadãos de Minnesota.