EUA declaram na ONU que não ocupam Venezuela após captura de Maduro
EUA justificam operação na Venezuela como 'legítima defesa'

Os Estados Unidos declararam formalmente às Nações Unidas que não estão ocupando a Venezuela, após uma operação militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. A justificativa foi apresentada pelo embaixador Mike Waltz durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, realizada na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026.

Justificativa Americana e Reação Venezuelana

Mike Waltz, representante dos EUA no órgão, classificou a ação como uma "operação policial" destinada a prender um acusado de narcotráfico. Ele afirmou que Maduro, descrito como um "presidente ilegítimo", foi indiciado por um júri popular nos Estados Unidos e enfrentará a justiça americana.

"Não estamos ocupando a Venezuela", insistiu Waltz. "Foi uma operação policial em cumprimento a acusações legítimas. Os EUA prenderam um narcotraficante que será julgado sob o império da lei."

Para fundamentar a ação, o embaixador invocou o Artigo 51 da Carta da ONU, que trata do direito à legítima defesa individual ou coletiva. Waltz argumentou que Maduro colaborava com nações adversárias e grupos terroristas, ameaçando a segurança dos EUA.

Em resposta veemente, o embaixador venezuelano Samuel Moncada denunciou uma "flagrante violação" da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. Moncada exigiu o respeito à imunidade de chefe de Estado de Maduro, sua libertação imediata e retorno seguro ao país, juntamente com a primeira-dama Cilia Flores.

Condenação Internacional e Divergências

A posição de Washington não encontrou respaldo amplo no cenário internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou que a Carta proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, reforçando que "o Estado de Direito deve prevalecer".

Aliados tradicionais do governo Maduro foram contundentes em suas críticas:

  • Rússia: O embaixador Vassily Nebenzia afirmou não haver justificativa para os "crimes cinicamente perpetrados pelos EUA" e citou violações de todas as normas internacionais.
  • China: Uma das maiores compradoras do petróleo venezuelano, emitiu comunicado assegurando a proteção de seus interesses pela lei e apoiou a convocação do Conselho de Segurança.
  • Irã: O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores classificou a captura como um "sequestro".

A França também acusou os Estados Unidos de contradizer os princípios da Carta da ONU, enfraquecendo os fundamentos da organização e a paz internacional.

Posição do Reino Unido e o Futuro da Venezuela

O embaixador britânico, James Kariuki, adotou um tom mais ambíguo. Embora tenha defendido o compromisso com o direito internacional e os princípios da ONU, também criticou o governo Maduro, responsabilizando-o por pobreza extrema, repressão violenta e colapso de serviços essenciais no país.

Kariuki reafirmou que o Reino Unido há muito considera ilegítima a reivindicação de Maduro ao poder e disse ansiar por uma transição pacífica para um governo legítimo que reflita a vontade do povo venezuelano.

A operação militar, que resultou em dezenas de mortes conforme relatos, colocou em evidência as profundas fissuras na governança global. O episódio reacende o debate sobre a soberania nacional versus a intervenção justificada por crimes transnacionais e ameaças à segurança, um tema que deve dominar as discussões diplomáticas nas próximas semanas.