Secretário do Tesouro dos EUA minimiza tensões e fala em 'histeria' europeia sobre Groenlândia
Em meio a uma crescente crise diplomática e comercial, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, afirmou nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, que está confiante em alcançar um acordo com a Europa para a anexação da Groenlândia pelos EUA. Durante declarações à imprensa no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Bessent descartou as preocupações de nações europeias sobre uma possível guerra comercial, classificando-as como mera 'histeria'.
Trump anuncia tarifas e ameaça escalar conflito
A tensão internacional aumentou significativamente após o presidente americano, Donald Trump, anunciar no último sábado a imposição de uma tarifa de 10% sobre produtos de países europeus que se opuserem à aquisição da ilha no Ártico. A Groenlândia é uma região semiautônoma do Reino da Dinamarca, e a medida está prevista para vigorar a partir de 1º de fevereiro, gerando alarme entre os líderes do bloco europeu.
A União Europeia argumenta que essas novas taxas violam o acordo comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado. Em resposta, os líderes europeus devem discutir possíveis retaliações em uma cúpula de emergência em Bruxelas, marcada para quinta-feira, 22 de janeiro. Entre as opções em análise está um pacote de tarifas sobre importações americanas no valor de aproximadamente 93 bilhões de euros, equivalente a cerca de R$ 587,8 bilhões, que poderia entrar em vigor automaticamente em 6 de fevereiro.
Bessent pede calma e descarta cenários catastróficos
Em suas declarações, Bessent buscou acalmar os ânimos, garantindo que é possível encontrar uma solução que preserve a segurança nacional tanto dos Estados Unidos quanto da Europa. 'Se passaram só 48 horas. Como eu disse, relaxem', declarou ele aos jornalistas. 'Estou confiante de que os líderes não irão intensificar o conflito e que tudo se resolverá de uma forma muito positiva para todos.'
Questionado sobre a possibilidade de uma guerra comercial prolongada entre os dois lados do Atlântico, o secretário do Tesouro americano afirmou que essa visão é 'precipitada'. 'Por que estamos considerando o pior cenário? Acalmem-se. Respirem fundo', respondeu, enfatizando a necessidade de diálogo e negociação.
UE considera medidas duras, mas impasse persiste
Bessent também descartou a possibilidade de a União Europeia recorrer, pela primeira vez, ao chamado Instrumento Anticoerção. Essa poderosa medida comercial, prevista nas diretrizes do bloco, poderia limitar o acesso dos Estados Unidos a licitações públicas, investimentos, atividades bancárias ou restringir o comércio de serviços, representando uma resposta robusta às ameaças de Trump.
No entanto, não há sinais claros de resolução para o impasse. De um lado, Donald Trump insiste repetidamente que não aceitará nada menos do que a posse da Groenlândia. Do outro, os líderes da ilha e da Dinamarca reafirmaram, de forma categórica, que o território não está à venda. Pesquisas realizadas entre os groenlandeses indicam que a maioria não deseja fazer parte dos Estados Unidos, reforçando a resistência local à proposta americana.
O cenário atual coloca em risco as relações comerciais e diplomáticas entre os Estados Unidos e a Europa, com potenciais impactos econômicos globais. Enquanto Bessent tenta minimizar os riscos, a postura agressiva de Trump e a firme resposta europeia sugerem que a disputa pela Groenlândia pode se tornar um dos principais focos de tensão internacional nos próximos meses.