O governo dos Estados Unidos anunciou uma expansão significativa da sua política de exigência de caução para vistos de visitante, incluindo mais 25 países na lista de nações afetadas. A medida, que faz parte da agenda de imigração restritiva do presidente Donald Trump, passa a valer a partir de 21 de janeiro de 2026 e tem como alvo principal combater a permanência irregular de turistas no território americano.
Quais são os novos países na lista?
O Departamento de Estado norte-americano divulgou a atualização na terça-feira, 6 de janeiro. Com a adição das novas nações, o total de países sujeitos à caução reembolsável salta para 38. A lista anterior, que contava com 13 nações, foi ampliada e agora inclui a Venezuela, em um movimento que ocorre após a operação militar liderada por Washington que derrubou o regime de Nicolás Maduro.
Os cidadãos dos seguintes países agora estão sujeitos à nova regra:
- Argélia, Angola, Antígua e Barbuda, Bangladesh, Benim
- Burundi, Cabo Verde, Costa do Marfim, Cuba, Djibuti
- Dominica, Fiji, Gabão, Quirguistão, Nepal
- Nigéria, Senegal, Tadjiquistão, Togo, Tonga
- Tuvalu, Uganda, Vanuatu, Venezuela e Zimbábue
Os países que já integravam a lista são: Butão, Botsuana, República Centro-Africana, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Malawi, Mauritânia, Namíbia, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Turcomenistão e Zâmbia.
Como funciona a exigência financeira?
De acordo com a publicação oficial no site do Departamento de Estado, qualquer viajante com passaporte de um dos países listados, considerado elegível para um visto de visitante B1/B2, deverá fazer um depósito de caução. Os valores são definidos em três faixas: US$ 5 mil (cerca de R$ 26 mil), US$ 10 mil (aproximadamente R$ 53 mil) ou US$ 15 mil (perto de R$ 80 mil).
O montante exato a ser pago será estabelecido durante a entrevista para solicitação do visto. O pagamento deve ser realizado através da plataforma online do Tesouro americano, o pay.gov, onde o solicitante precisa concordar com os termos da caução.
O valor depositado é reembolsável. O visitante recebe o dinheiro de volta após deixar os Estados Unidos dentro do prazo de permanência autorizado pelo visto. O mecanismo funciona como uma garantia financeira para assegurar que o turista não ultrapasse o tempo legal de estadia.
Cruzada anti-imigração e reações
A ampliação da lista é mais uma peça na política de imigração de linha dura do presidente Donald Trump, que retomou o cargo no ano passado. Sua administração tem implementado uma série de medidas restritivas, que incluem desde revogações de vistos regulares até campanhas agressivas de deportação.
A Casa Branca defende que as ações têm como objetivo principal melhorar a segurança interna dos Estados Unidos. No entanto, a medida tem sido alvo de fortes críticas de diversas organizações de direitos humanos.
Esses grupos argumentam que políticas como a da caução representam um golpe contra as garantias do devido processo legal e contra a liberdade de expressão no país. A exigência financeira, segundo os críticos, cria uma barreira econômica desproporcional para cidadãos de nações em desenvolvimento, majoritariamente da África, América Latina e Sul da Ásia.
A tensão em torno das políticas migratórias continua alta dentro dos Estados Unidos, refletindo as divisões profundas no país sobre o tema. Com a entrada em vigor da nova lista marcada para 21 de janeiro, milhares de potenciais viajantes terão que se adaptar às regras mais rigorosas para obter a permissão de entrada no território americano.