O futuro político e econômico da Venezuela está atrelado a um plano de três fases anunciado pela administração dos Estados Unidos, mas os detalhes concretos dessa estratégia permanecem envoltos em incertezas, conforme análise de especialistas.
As três etapas do plano norte-americano
De acordo com declarações do Secretário de Estado, Marco Rubio, a iniciativa seria dividida em momentos distintos. A primeira fase teria como objetivo central a estabilização do país, um processo que se seguiria à captura do atual presidente, Nicolás Maduro.
Na sequência, a segunda etapa, chamada de recuperação, envolveria dois pilares principais: garantir o acesso de empresas petrolíferas americanas ao vasto petróleo venezuelano e discutir mecanismos de anistia para opositores do regime anterior.
Por fim, a terceira fase seria a transição governamental. Rubio afirmou que caberia ao próprio povo venezuelano a tarefa de transformar a nação. Contudo, declarações do presidente Donald Trump adicionaram uma camada de complexidade, ao sugerir que os EUA poderiam supervisionar o país e controlar sua receita petrolífera por um período de anos.
Especialista aponta falta de clareza e informações
Em entrevista ao Conexão Record News na quinta-feira, 08 de janeiro de 2026, a doutora em direito pela USP e membro da Academia Suíça de Direito Internacional, Clarita Maia, lançou um olhar cético sobre o anúncio.
Ela avaliou que, apesar do tom conclusivo da fala do presidente Trump, o conteúdo é muito impreciso. "Está tudo muito no começo", afirmou a pesquisadora. "Até mesmo esse plano não está muito claro, ele foi apresentado para alguns líderes, não todos, do Congresso americano. Então pouco, na verdade, se sabe a respeito desse plano."
Maia reforçou que não há esclarecimentos sobre quais seriam as etapas claras e práticas da atuação norte-americana na Venezuela. A especialista destacou a ausência de informações sólidas que permitam uma análise mais profunda das intenções e dos métodos que seriam empregados pelos Estados Unidos.
Um cenário de muitas perguntas e poucas respostas
A análise aponta para um divórcio entre o discurso público de altas autoridades americanas e a existência de um roteiro operacional definido. Enquanto termos como estabilização, recuperação e transição são amplamente divulgados, os mecanismos para alcançá-los, os prazos envolvidos e o grau real de intervenção estrangeira seguem sem definição transparente.
Esta ambiguidade deixa em aberto questões cruciais sobre soberania, gestão de recursos naturais e o processo político futuro da Venezuela. O plano, portanto, permanece como uma promessa de estrutura ainda sem alicerces visíveis para a comunidade internacional e, principalmente, para os venezuelanos.