O cenário de um possível envio de tropas norte-americanas para o território iraniano é considerado muito improvável por especialistas, principalmente devido às promessas feitas pelo ex-presidente Donald Trump durante sua campanha eleitoral. A análise é do professor de relações internacionais Leonardo Trevisan, que aponta ainda para um cenário de retaliação praticamente certo caso os Estados Unidos decidam por um ataque.
Poderio militar iraniano em alerta máximo
O contexto atual é de alta tensão. Desde o conflito contra Israel em 2025, que durou 12 dias, o Irã fortaleceu significativamente seu arsenal. De acordo com declarações do comandante aeroespacial da Guarda Revolucionária do país, a força militar iraniana está em seu "auge de prontidão".
O comandante afirmou que todos os danos sofridos durante a guerra já foram reparados. Mais do que isso, a produção das forças aeroespaciais em diversas regiões do Irã agora é superior aos níveis registrados antes de junho de 2025. Este aumento na capacidade militar coloca o país em uma posição de força renovada.
Promessas de Trump são obstáculo para envio de tropas
Em entrevista ao Conexão Record News, o professor Leonardo Trevisan explicou que a política interna dos Estados Unidos é um fator crucial para afastar a hipótese de uma invasão terrestre. "Isso não passaria pela goela dos trumpistas", afirmou Trevisan, referindo-se aos apoiadores de Donald Trump.
O especialista foi enfático: "Eles não querem ouvir falar de envio de soldados, isso é unânime. 80% do eleitorado do Trump não quer". A justificativa está no cerne da campanha presidencial de Trump, que teve como uma de suas principais bandeiras o fim de conflitos internacionais. "Toda a promessa do Trump na campanha foi de encerrar guerras, não começar mais uma", lembrou Trevisan.
Por isso, enquanto um bombardeio aéreo ou ataque com mísseis permanece como uma possibilidade, o envio de tropas para o solo iraniano é considerado uma medida "muito difícil" de ser concretizada no atual cenário político norte-americano.
Retaliação iraniana seria inevitável e mais forte
Trevisan alerta, no entanto, que qualquer ação militar dos EUA provavelmente desencadearia uma resposta imediata do Irã. "Caso haja um bombardeio norte-americano, a retaliação iraniana é praticamente certa dessa vez", declarou o professor.
O novo poder de fogo iraniano muda a dinâmica de possíveis confrontos. O especialista contrasta a situação atual com episódios passados: "Fica meio preocupante para os Estados Unidos que um ataque ao Irã ficará como foi no episódio da guerra dos 12 dias, 'atacou a base nuclear e não aconteceu nada'. Agora será diferente".
Em resumo, a análise aponta para um impasse complexo. De um lado, as restrições políticas internas nos EUA limitam as opções mais agressivas, como uma invasão. De outro, o fortalecimento militar do Irã serve como um poderoso dissuasor, prometendo uma retaliação severa a qualquer ofensiva, o que eleva os riscos de uma escalada de consequências imprevisíveis no já instável Oriente Médio.