Delcy Rodríguez rompe com EUA e gera incerteza na Venezuela
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, protagonizou no domingo, 25 de janeiro de 2026, a mais expressiva ruptura com o governo dos Estados Unidos desde que assumiu o cargo. Em declarações transmitidas pelo canal estatal Venezolana de Televisión, Rodríguez afirmou estar farta das ordens de Washington sobre a política venezuelana, especialmente em relação à produção de petróleo e às relações internacionais do país.
Equilíbrio delicado entre apoiadores de Maduro e pressão americana
Desde que assumiu a liderança interina com a chancela do presidente Donald Trump, após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro, Rodríguez tem caminhado sobre uma corda bamba. A líder tenta conciliar o apoio dos aliados de Maduro dentro da Venezuela com a necessidade de manter boas relações com a Casa Branca. Esta postura agora parece ter atingido seu limite, quase um mês após sua posse.
Em evento com trabalhadores do setor petrolífero em Puerto La Cruz, Rodríguez foi enfática: Já chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Ela defendeu que a política venezuelana deve resolver suas diferenças internamente, sem interferência externa, e mencionou que o país pagou um preço alto ao enfrentar consequências do fascismo e extremismo.
Pressão constante dos Estados Unidos
A Casa Branca tem mantido uma pressão constante sobre a Venezuela desde a prisão de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em operação militar no início de janeiro. O ex-ditador foi levado para Nova York, onde enfrenta acusações de narcoterrorismo. Nos últimos dias, o governo Trump delineou exigências específicas para a Venezuela, incluindo:
- Rompimento de relações com China, Irã, Rússia e Cuba
- Firmação de parceria exclusiva com os Estados Unidos na produção de petróleo
O setor petrolífero, apesar do derretimento do PIB venezuelano na última década, continua sendo o principal motor econômico do país, que detém as maiores reservas do mundo. Washington espera ser priorizado nas vendas futuras, intensificando a pressão sobre Rodríguez.
Cenário interno dividido e desafios futuros
Internamente, a Venezuela permanece profundamente dividida entre três principais setores políticos:
- Defensores de Nicolás Maduro
- Oposição de esquerda
- Chavistas não-maduristas, que apoiam o falecido Hugo Chávez mas rejeitam Maduro por suposta traição aos ideais socialistas
Rodríguez, que foi vice de Maduro, tem insistido nas últimas semanas que os Estados Unidos não governam a Venezuela, respondendo a sugestões anteriores de Trump. No entanto, ela também buscou evitar confrontos diretos com Washington, estratégia que parece estar se esgotando diante das exigências americanas.
Este momento representa um ponto de inflexão nas relações entre Venezuela e Estados Unidos, com implicações significativas para a estabilidade política regional e o mercado global de petróleo. A capacidade de Rodríguez de navegar entre pressões internas e externas será crucial para o futuro imediato do país sul-americano.