Colegas assumem programa ao vivo após prisão de Don Lemon nos EUA e cobrem detenção do apresentador
Colegas assumem programa após prisão de Don Lemon nos EUA

Colegas assumem programa ao vivo após prisão de Don Lemon nos Estados Unidos

Em um episódio marcante para o jornalismo norte-americano, colegas e comentaristas assumiram a condução do programa The Don Lemon Show após a prisão do próprio apresentador. A transmissão ao vivo foi realizada no canal do YouTube de Don Lemon na sexta-feira (30), com a chamada impactante: “Última hora: Don Lemon foi preso”.

Detenção do jornalista durante protesto em Minnesota

O ex-apresentador da rede internacional CNN foi detido na noite de quinta-feira (29) por ter participado de um protesto contra o Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) em Minnesota. A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que ordenou pessoalmente a prisão de Lemon e de outras três pessoas em conexão com o que descreveu como “ataque coordenado à Igreja Cities em St. Paul, Minnesota”.

Don Lemon, que se tornou um influenciador digital após deixar a CNN em 2023, defendeu que estava no local exercendo sua função jornalística, realizando uma reportagem sobre a manifestação que ocorria contra a repressão à imigração na região. O protesto interrompeu um culto em uma igreja onde um agente do ICE atua como pastor, com participantes gritando “fora, ICE”.

Programa ao vivo discute implicações para liberdade de imprensa

A live foi mediada pela advogada e comentarista americana Monique Pressley, contando também com a participação de analistas e comentaristas próximos ao jornalista. Durante a transmissão, um dos participantes alertou: “A preocupação que estamos vendo não é apenas sobre um jornalista. Não é apenas sobre Don. Não é apenas sobre Georgia. É sobre se repórteres podem fazer seu trabalho sem medo de serem presos”.

Espectadores acompanharam atentamente e deixaram mensagens de apoio como “Free Don Lemon”, demonstrando a comoção em torno do caso. A discussão central girou em torno das implicações da detenção para os direitos constitucionais dos jornalistas nos Estados Unidos.

Resposta da emissora e questões legais

Em nota oficial, a emissora associada a Lemon expressou profunda preocupação com o episódio, afirmando que a prisão “levanta questões preocupantes sobre liberdade de imprensa e sobre a Primeira Emenda”. O comunicado destacou ainda que o Departamento de Justiça já havia falhado em duas tentativas anteriores de obter um mandado de prisão contra o jornalista em Minnesota.

Segundo a nota, o juiz-chefe do Tribunal Federal do Distrito de Minnesota concluiu que não havia “nenhuma evidência” de qualquer comportamento criminoso envolvido no trabalho dos jornalistas. A comunicação finalizou defendendo veementemente a liberdade de imprensa: “A Primeira Emenda dos Estados Unidos protege jornalistas que testemunham fatos e acontecimentos à medida que se desenrolam, garantindo que possam informar livremente no interesse público”.

Contexto político e histórico do caso

Don Lemon é conhecido como um crítico vocal do ex-presidente Donald Trump, frequentemente referindo-se a ele como mentiroso. O governo Trump tentou indiciar oito pessoas relacionadas ao protesto, incluindo o jornalista, mas o juiz responsável pelo caso não incluiu Lemon na ação judicial.

O estado de Minnesota tornou-se recentemente epicentro de grandes protestos contra a atuação do ICE na região, especialmente após a morte de dois cidadãos americanos durante manifestações: a poetisa Renée Nicole Good e o enfermeiro Alex Pretti, ambos com 37 anos. Estes eventos criaram um clima de tensão que contextualiza a detenção do jornalista.

Após sua saída da CNN – onde foi demitido em 2023 após acusações de comentários sexistas – Lemon começou a trabalhar de maneira independente em seu canal no YouTube, plataforma onde ocorreu a transmissão extraordinária que discutiu sua própria prisão. O caso continua a ser acompanhado de perto por defensores da liberdade de imprensa em todo o país.