China e Rússia fortalecem aliança militar em resposta à estratégia de defesa dos EUA
Os ministros da Defesa da China e da Rússia realizaram uma videoconferência nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, para discutir o aprofundamento da cooperação militar entre os dois países. O encontro ocorre em um momento de crescente tensão geopolítica, especialmente após a divulgação da nova estratégia de defesa dos Estados Unidos.
Coordenação estratégica contra "riscos e desafios"
Durante a conversa, o ministro da Defesa chinês, Dong Jun, expressou ao seu homólogo russo, Andrei Belousov, a disposição de Pequim em reforçar a coordenação estratégica com Moscou. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Jun afirmou que a China está pronta para trabalhar com a Rússia na implementação do consenso alcançado pelos líderes dos dois países.
"A China está disposta a trabalhar com a Rússia para implementar seriamente o importante consenso alcançado pelos dois chefes de Estado, fortalecer a coordenação estratégica, enriquecer a substância da cooperação e melhorar os mecanismos de intercâmbio", declarou o ministro chinês.
Contexto da nova estratégia de defesa americana
A reunião entre os ministros da Defesa acontece poucos dias após o governo do presidente Donald Trump divulgar o novo documento estratégico do Pentágono. O texto, publicado na última sexta-feira, estabelece as prioridades das Forças Armadas dos Estados Unidos, com foco especial na América Latina e na dissuasão da China.
Embora o documento mantenha um tom moderado em relação a Pequim, orientando que as relações serão abordadas através da "força, não do confronto", há pontos evidentes de atrito. Sem mencionar especificamente Taiwan, o texto afirma que Washington irá "impedir que qualquer um, incluindo a China, seja capaz de nos dominar ou aos nossos aliados".
O documento americano destaca ainda que "a China e suas Forças Armadas tornaram-se cada vez mais poderosas na região do Indo-Pacífico", alertando que os EUA manterão um equilíbrio favorável de poder militar na região.
Relação sino-russa e pressões internacionais
A parceria entre China e Rússia foi formalizada em fevereiro de 2022, pouco antes da invasão russa da Ucrânia, quando os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping anunciaram uma "parceria sem limites" entre os países. Desde então, no entanto, Xi enfrenta crescente pressão diplomática e econômica para reduzir o apoio da China à Rússia e à guerra na Ucrânia.
Além das tensões com Washington, a China também enfrenta uma guerra comercial com os Estados Unidos, o que tem levado Pequim a buscar apoio de outros países para contornar eventuais tarifas. Neste contexto, a aproximação com a Rússia ganha importância estratégica adicional.
China diversifica parcerias com aliados ocidentais
Em meio às ameaças de Trump, a China passou a formar novas parcerias com aliados ocidentais. Na semana passada, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, participou de uma reunião com Xi Jinping para redefinir as relações entre os dois países após quase uma década de laços deteriorados.
O encontro ocorre em um momento de crescente atrito entre Ottawa e Washington, com Trump já tendo ameaçado anexar o vizinho e aplicado tarifas de 35% sobre produtos canadenses. Em declaração conjunta divulgada após a reunião, China e Canadá afirmaram ter "acolhido com satisfação os progressos alcançados na resolução de questões comerciais".
Como parte do acordo, o Canadá anunciou que permitirá a entrada de até 49.000 veículos elétricos chineses, com uma tarifa reduzida de 6,1%. Até então, uma tarifa geral de 100% era aplicada sobre os veículos. Em contrapartida, o governo canadense espera que a China reduza suas tarifas sobre sementes de canola canadenses para cerca de 15% até 1º de março.
Este movimento diplomático demonstra a estratégia chinesa de diversificar suas parcerias internacionais enquanto fortalece laços tradicionais, como o com a Rússia, em um cenário global cada vez mais complexo e desafiador.