Uma ação militar conduzida pelos Estados Unidos no território venezuelano, no último sábado (3), gerou uma forte reação internacional e levou a uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (5). O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram retirados à força do país e levados para os Estados Unidos, onde enfrentam acusações.
Condenação Firme no Conselho de Segurança da ONU
Durante a sessão urgente, os representantes da China e da Rússia expressaram profunda indignação com a operação militar norte-americana. O embaixador chinês na ONU, Fu Cong, afirmou que seu país está "profundamente chocado" e condenou veementemente o que classificou como "atos ilegais e de bullying" por parte dos Estados Unidos.
Fu Cong destacou que a comunidade internacional tem demonstrado preocupação constante com as sanções, bloqueios e ameaças de uso da força contra a Venezuela. Ele acusou os EUA, como membro permanente do Conselho de Segurança, de ignorar as sérias preocupações sobre a soberania venezuelana e de violar os princípios de não interferência em assuntos internos e da proibição do uso da força nas relações internacionais.
Rússia Denuncia Imperialismo e Pedido de Libertação
O embaixador russo, Vasily Nebenzya, foi ainda mais contundente em seu discurso. Ele declarou que o início do ano chocou a todos pela falta de respeito às leis internacionais. "O sequestro do líder da Venezuela, Nicolás Maduro, acompanhado da morte de dezenas de cidadãos venezuelanos e cubanos, aos olhos de muitos, se tornou um retrocesso para a época de um mundo sem leis", afirmou.
Nebenzya foi categórico ao afirmar que não há justificativa para os crimes cometidos pelos Estados Unidos em Caracas e condenou firmemente a agressão, que estaria em desacordo com todas as normas internacionais. O diplomata russo fez um apelo direto: "Pedimos a libertação imediata de Maduro e sua esposa. Ele é o presidente legítimo da Venezuela eleito".
Além disso, o representante russo vinculou a ação dos EUA a interesses econômicos, afirmando que o país "não esconde seu desejo pelo petróleo venezuelano" e deixa claro seu imperialismo na América Latina. Ele concluiu pedindo que a comunidade internacional se una contra os métodos norte-americanos de uso da força.
Detalhes da Operação e Situação de Maduro
A operação militar americana resultou na morte de integrantes das forças de segurança que protegiam Maduro e causou explosões em Caracas, a capital venezuelana. O casal presidencial foi transportado para Nova York.
Segundo o governo dos Estados Unidos, Maduro responderá no país a acusações de suposta ligação com o tráfico internacional de drogas. Nesta segunda-feira (5), Maduro e Cilia Flores foram levados ao Tribunal Federal de Nova York para uma audiência de custódia, onde declararam-se inocentes perante a justiça norte-americana.
Atualmente, o casal está detido em um presídio federal no bairro do Brooklyn, em Nova York, aguardando os próximos passos do processo legal. A situação marca um capítulo extremamente tenso nas relações internacionais, com potências mundiais tomando lados opostos em um conflito que envolve soberania, direito internacional e acusações graves.