Premiê do Canadá reafirma apoio à Groenlândia e critica ameaças de Trump em Davos
Canadá apoia Groenlândia e critica Trump em Davos

Premiê canadense defende soberania da Groenlândia em meio a tensões com Trump

Em um discurso marcante no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, reafirmou nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, seu apoio firme à Groenlândia e à Dinamarca. A declaração ocorre em um contexto de crescente pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem ameaçado tomar o controle do território ártico, rico em recursos naturais.

Posicionamento claro contra as ameaças americanas

Carney foi enfático ao afirmar que "o Canadá apoia firmemente a Groenlândia e a Dinamarca e apoia totalmente seu direito exclusivo de determinar o futuro da Groenlândia". Ele destacou que o país busca equilibrar integridade e pragmatismo, comprometendo-se com princípios como soberania, integridade territorial e respeito aos direitos humanos, enquanto reconhece que o progresso em relações internacionais muitas vezes é gradual.

Além disso, o premiê canadense expressou veemente oposição às tarifas impostas por Trump sobre a Groenlândia, defendendo que as negociações devem ser priorizadas em detrimento de medidas unilaterais. No sábado anterior, Trump anunciou a imposição de taxas de 10% sobre importações de vários países europeus, incluindo a Dinamarca, a partir de 1º de fevereiro, condicionando a suspensão à autorização para comprar a ilha.

Contexto de segurança no Ártico e ameaças da Rússia

Carney também abordou questões de segurança na região ártica, reconhecendo a legitimidade das discussões sobre o tema, mas argumentando que "um resultado melhor pode advir de discussões que foram catalisadas de maneira incomum". Ele apontou a Rússia como uma ameaça real no Ártico, citando suas ações na guerra na Ucrânia, que se aproxima do quarto ano, como exemplo de comportamentos preocupantes.

As ameaças de Trump à Groenlândia têm se intensificado nas últimas semanas, com o líder americano afirmando que os Estados Unidos assumiriam o controle do território "de um jeito ou de outro" por questões de segurança nacional. Trump não descartou o uso de força militar, apesar da proteção oferecida pela Otan, da qual a Dinamarca é membro.

Vinculação do Nobel da Paz às intenções sobre a Groenlândia

Em uma carta ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, Trump vinculou suas ameaças à Groenlândia ao fato de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz. Ele argumentou que, após não ser laureado pelo instituto norueguês independente, não se sente mais obrigado a pensar apenas em paz, podendo agora focar no que considera "bom e apropriado" para os Estados Unidos.

Essa postura contrasta com a de Carney, que enfatizou a importância do diálogo e do respeito às soberanias nacionais. O cenário reflete tensões geopolíticas crescentes, com o Canadá posicionando-se como um defensor da ordem internacional baseada em regras, em oposição às ações unilaterais de Trump.