O Brasil se posicionou de forma contundente em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026. O país condenou veementemente a operação militar conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.
Uma violação grave e um precedente perigoso
Através de seu embaixador, Sérgio Danese, a diplomacia brasileira classificou a ação como uma afronta direta à soberania da Venezuela e uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. Danese foi enfático ao afirmar que os bombardeios e a captura do mandatário venezuelano "ultrapassam uma linha inaceitável".
O discurso reforçou a mensagem publicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na rede social X no sábado, dia da operação. A representação brasileira alertou que tais atos estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional, podendo levar a um cenário de maior violência e desordem global.
Defesa intransigente do direito internacional
Danese argumentou que as normas que regem as relações entre os Estados são universais e obrigatórias, não admitindo exceções baseadas em interesses políticos, econômicos ou ideológicos. "Elas não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifique o uso da força ou a mudança ilegal de um governo", declarou, em uma crítica indireta às acusações do presidente americano, Donald Trump, sobre o petróleo venezuelano.
O embaixador fez um paralelo histórico, lembrando que intervenções armadas do passado, longe de levar liberdade, frequentemente resultaram em regimes autoritários e violações de direitos humanos. Ele contextualizou o momento atual como especialmente frágil, citando um número recorde de 61 conflitos armados ativos no mundo e gastos militares globais próximos de US$ 2,7 trilhões.
Ameaça à paz sul-americana e chamado à ação
Um dos pontos mais destacados pela representação brasileira foi o impacto regional da operação. Danese denunciou que, pela primeira vez na América do Sul, ocorreu uma agressão armada externa com o destacamento de tropas e bombardeios em um país vizinho, que compartilha mais de 2.000 quilômetros de fronteira com o Brasil.
"A América do Sul é uma zona de paz. Insisto nisso. Mantivemos e manteremos com total determinação a paz e a não intervenção em nossa região", afirmou. Ele também rejeitou a ideia de "protetorados" na Venezuela, referindo-se às declarações de Trump sobre governar o país temporariamente.
Por fim, o embaixador conclamou o Conselho de Segurança a agir com determinação e clareza, em obediência ao direito internacional, para impedir que "a lei da força prevaleça sobre a força da lei". Reiterou que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente pelos venezuelanos, por meio do diálogo, sem qualquer interferência externa.