Rubio revela: Trump quer comprar a Groenlândia, não invadir
EUA: Trump busca comprar a Groenlândia, diz Rubio

O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou em uma reunião confidencial com parlamentares que o presidente Donald Trump busca comprar a Groenlândia, e não invadir o território dinamarquês. A declaração, revelada pelo jornal The Wall Street Journal nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, tenta acalmar os ânimos no Congresso americano, mas a Casa Branca mantém uma postura ambígua, não descartando o uso da força militar.

Reunião tensa no Congresso americano

A revelação ocorreu durante um encontro a portas fechadas na segunda-feira, 5 de janeiro, que contou com a presença de lideranças da Câmara e do Senado. Além de Rubio, estavam presentes o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine.

O foco inicial da reunião era a apreensão do ditador venezuelano Nicolás Maduro. No entanto, o senador democrata Chuck Schumer, líder da minoria, redirecionou o debate ao questionar se a administração Trump planejava ações militares em outros locais, como México e Groenlândia.

Foi nesse contexto que Marco Rubio teria dito que o objetivo era uma compra, não uma invasão. Segundo as fontes do WSJ, não ficou claro se o secretário falava a sério ou apenas tentava apaziguar as preocupações dos legisladores.

A postura belicosa da Casa Branca

Apesar da fala de Rubio, o tom oficial da administração Trump permanece agressivo. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi enfática ao declarar que "utilizar as forças armadas é sempre uma opção" para alcançar o que chamou de "importante objetivo da política externa" americana.

O próprio presidente deixou suas ambições claras. A bordo do Air Force One no domingo, 4 de janeiro, Trump afirmou a repórteres: "Precisamos da Groenlândia para garantir a segurança nacional e a Dinamarca não tem capacidade de fazê-lo". Em comunicado, Leavitt reforçou que a aquisição do território é vista como vital para dissuadir adversários dos EUA na região do Ártico.

Esta não é a primeira vez que Trump demonstra interesse pela maior ilha do mundo. Em seu primeiro mandato, o republicano já havia sondado uma possível compra, sem sucesso. Agora, sua abordagem parece ser mais direta e menos diplomática.

Oposição local e riscos para a OTAN

A ambição americana enfrenta resistência feroz de múltiplos lados. Pesquisas de opinião indicam que a população local da Groenlândia é contra a anexação por Washington. Analistas também apontam que os Estados Unidos já possuem amplo acesso militar à ilha devido a um acordo da Guerra Fria, tornando uma tomada hostil desnecessária do ponto de vista estratégico.

O maior risco, no entanto, pode ser para a aliança ocidental. Membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) já alertaram que qualquer ação militar contra o território dinamarquês significaria o fim da aliança político-militar. A Dinamarca é um membro fundador e crucial da OTAN.

A situação coloca os EUA em rota de colisão não só com Copenhague, mas com toda a estrutura de segurança europeia pós-Segunda Guerra, elevando a tensão a um patamar geopolítico perigoso enquanto o governo Trump persiste em seu objetivo.