Caso Master: Diretor do BC revela situação financeira crítica do banco na liquidação
Em depoimento prestado à Polícia Federal, o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, revelou que o Banco Master possuía apenas R$ 4 milhões em caixa quando foi liquidado em novembro de 2025. A declaração foi feita no dia 30 de dezembro de 2025, durante audiência conduzida pela delegada Janaina Palazzo, com acompanhamento de um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal.
Liquidez incompatível com porte do banco
Segundo Ailton de Aquino, os R$ 4 milhões encontrados no caixa do Master eram insuficientes e incompatíveis para uma instituição financeira de médio porte. O diretor do BC destacou a importância do acompanhamento da supervisão para entender a situação de liquidez, comparando com padrões do mercado:
"Para pontuar isso claramente: um banco de R$ 80 bilhões tem liquidez de R$ 3 bilhões, R$ 4 bilhões em títulos livres. O Master, antes da liquidação, só tinha R$ 4 milhões em caixa", afirmou Aquino durante seu depoimento.
Versão de Daniel Vorcaro sobre a crise
No mesmo dia, a Polícia Federal ouviu o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, que admitiu que a instituição enfrentava uma crise de liquidez. Vorcaro afirmou que o banco sempre foi solvente e honrou todos os compromissos até 17 de novembro, atribuindo a crise a mudanças regulatórias:
"Essa crise de liquidez, há de se ressaltar e que está no próprio relatório do Banco Central, foi criada por duas coisas: por mudança de regulação, com a pressão dos grandes bancos, que mudaram por duas vezes a regra do FGC", declarou Vorcaro.
O empresário explicou que todo o plano de negócios do banco desde 2018 era baseado no Fundo Garantidor de Créditos, mecanismo formado por recursos dos maiores bancos brasileiros para reembolsar investidores em caso de falência ou intervenção.
Operações com o BRB e impacto financeiro
Os depoimentos também abordaram as operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília. Segundo as investigações, o BRB adquiriu R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas podres, sem garantias financeiras adequadas.
Ailton de Aquino alertou que o BRB pode precisar de mais de R$ 5 bilhões para cobrir o rombo causado por essas transações. O diretor do BC afirmou que era dever da governança do BRB identificar problemas nos créditos adquiridos:
"Aplicando técnicas, eu tenho certeza que a governança do BRB deveria ter identificado. Não tenho dúvidas disso", declarou Aquino.
Posicionamento do BRB e defesa de Vorcaro
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também prestou depoimento e afirmou que os documentos do Master não indicavam irregularidades à época das transações. Costa declarou que "até hoje a gente não tem uma evidência concreta de que essas carteiras tinham problema".
O Banco de Brasília emitiu nota afirmando que a instituição é sólida, opera normalmente e assegura todos os serviços financeiros. A defesa de Daniel Vorcaro optou por não se manifestar sobre os depoimentos.
O caso continua sob investigação, com o Banco Central exigindo que o BRB apresente até março um plano de recapitalização para atender às regras de capital mínimo, essencial para absorver perdas e proteger clientes.