Minas Gerais institui comissão para proteger patrimônio histórico das mudanças climáticas
O governo de Minas Gerais publicou uma portaria no Diário Oficial do estado nesta sexta-feira, 23 de fevereiro, instituindo uma comissão dedicada a analisar os impactos das mudanças climáticas sobre o patrimônio histórico e cultural mineiro. O grupo vai atuar no âmbito do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, conhecido como Iepha-MG.
Funções e responsabilidades da comissão
A comissão não terá poder de decisão, mas ficará responsável por estudar, acompanhar e propor diretrizes para a preservação de bens culturais diante de eventos climáticos extremos. Entre os fenômenos considerados estão chuvas intensas, ondas de calor e períodos prolongados de seca, que podem danificar estruturas históricas.
A portaria também define a composição do grupo e as regras de funcionamento. Os trabalhos serão realizados sem pagamento de remuneração adicional aos integrantes, destacando o caráter voluntário e técnico da iniciativa.
Vulnerabilidade das cidades históricas mineiras
Minas Gerais concentra o maior conjunto de cidades históricas do país, com igrejas, casarões e centros urbanos que, em sua maioria, não foram projetados para enfrentar variações climáticas mais intensas. Esses patrimônios, muitos datados dos séculos XVIII e XIX, são particularmente sensíveis a:
- Chuvas torrenciais que podem causar erosão e infiltrações
- Ondas de calor que afetam materiais tradicionais como madeira e taipa
- Períodos prolongados de seca que comprometem a estabilidade estrutural
Ao criar uma comissão específica sobre o tema, o governo estadual passa a tratar o clima como um fator relevante no debate sobre a preservação do patrimônio histórico, reconhecendo a urgência de adaptar essas joias arquitetônicas às novas realidades ambientais.
Contexto e próximos passos
Esta iniciativa representa um avanço na política de preservação cultural de Minas Gerais, integrando preocupações ambientais com a conservação histórica. O g1 entrou em contato com o Iepha-MG para obter mais detalhes sobre o cronograma de trabalho e as primeiras ações da comissão, aguardando retorno da instituição.
A medida chega em um momento crucial, pois eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes no Brasil, exigindo ações proativas para proteger não apenas vidas humanas, mas também o patrimônio cultural que define a identidade mineira e brasileira.