EUA e Irã trocam acusações sobre controle do Estreito de Ormuz
EUA e Irã trocam acusações sobre Estreito de Ormuz

Os Estados Unidos e o Irã protagonizam uma intensa guerra de versões sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Enquanto Washington anunciou o início de uma operação para retirar navios presos na região, Teerã nega que qualquer embarcação tenha atravessado a passagem nesta segunda-feira (4).

Versões contraditórias

Cerca de doze horas após o presidente Donald Trump declarar uma operação no Estreito de Ormuz para liberar a passagem de embarcações, o Irã respondeu com uma imagem: um mapa com duas linhas na entrada e na saída da rota, demonstrando a área sob controle iraniano. Teerã afirmou que qualquer força estrangeira que se aproximasse ou tentasse atravessar o estreito estaria sujeita a ataques. Esta foi a primeira de uma série de mensagens trocadas ao longo do dia, nas quais ambos os países tentaram desmentir um ao outro.

O regime iraniano declarou ter impedido a entrada de navios militares americanos e, posteriormente, afirmou ter atingido uma embarcação e disparado tiros de advertência. Em contrapartida, o Comando Central dos Estados Unidos informou que interceptou drones e mísseis, mas negou que qualquer navio americano tivesse sido atingido. Donald Trump foi além, dizendo que a Marinha americana destruiu sete barcos de pequeno porte do Irã que estavam obstruindo o trânsito em Ormuz. Oficiais iranianos contestaram veementemente essa versão.

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O Pentágono também afirmou que destroieres da Marinha atravessaram para o Golfo Pérsico e escoltaram dois cargueiros americanos pelo estreito – informações igualmente negadas pelo regime em Teerã.

Ataques na região

Em meio à disputa de narrativas, dois países do Golfo relataram ter sido alvos de ataques nesta segunda-feira. Os Emirados Árabes Unidos afirmaram que um bombardeio iraniano atingiu um porto e um petroleiro, deixando três feridos. Na mesma região, um cargueiro sul-coreano pegou fogo após uma explosão. O Irã negou qualquer envolvimento. Em Omã, um prédio residencial foi atingido por um disparo de origem desconhecida, ferindo dois moradores. As autoridades investigam a procedência do ataque.

Impactos globais

Os ataques iranianos colocam em xeque o cessar-fogo em vigor há quase um mês. A incerteza sobre o futuro do conflito e os sinais contraditórios dos dois países geram consequências em todo o planeta. O preço do barril de petróleo tipo Brent, referência internacional, voltou a subir, registrando alta de 5,4% e fechando o dia vendido a US$ 113. Esse aumento pesa cada vez mais no bolso dos americanos e na popularidade do presidente dos EUA. Segundo pesquisa divulgada no fim de semana, 62% dos americanos desaprovam o governo Trump – o maior índice em seus dois mandatos. Mais de dois terços da população acreditam que o país está seguindo na direção errada.

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