Inadimplência atinge 12,3% das famílias brasileiras em março de 2026
Inadimplência atinge 12,3% das famílias em março de 2026

O percentual de famílias brasileiras que não conseguem pagar suas dívidas em atraso atingiu 12,3% em março de 2026, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Esse indicador mantém uma trajetória de alta nos últimos anos: em março de 2023, era de 11,5%; em 2025, subiu para 12,2%; e agora alcançou o novo patamar.

Paralelamente, o endividamento total das famílias bateu recorde, chegando a 80,4%, superando os 77,1% registrados em março de 2025. Apesar de uma leve melhora na comparação mensal, o nível de inadimplência segue elevado. Em março, 29,6% das famílias tinham contas em atraso, percentual superior ao de um ano antes, quando era de 28,6%.

Crédito pessoal avança e muda perfil da dívida

O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento, mas sua participação caiu de 86% em março de 2023 para 84,9% em março de 2026. O movimento mais relevante está no avanço do crédito pessoal, cuja participação subiu de 8,6% para 12,6% no mesmo período. O crédito imobiliário também cresceu, de 8,7% para 9,7%, assim como o financiamento automotivo, que aumentou de 8,7% para 9,1%.

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Atraso recorde e renda ainda pressionada

Em março de 2026, o atraso médio no pagamento de dívidas chegou a 65,1 dias. Ao mesmo tempo, houve mudanças no perfil dessas dívidas, com redução da parcela de atrasos muito longos e aumento dos prazos médios de pagamento. Ainda assim, o comprometimento da renda permanece elevado: em média, as famílias destinam 29,6% da renda mensal ao pagamento de dívidas e levam cerca de 7,2 meses para quitá-las, indicando um ciclo prolongado de endividamento, segundo a CNC.

Desenrola 2.0 prevê renegociação e uso do FGTS

Diante desse cenário, o governo federal lançou o Desenrola 2.0, nova versão do programa de renegociação de dívidas. O programa prevê descontos que podem chegar a 90% e juros limitados a 1,99% ao mês. Também permite o uso de até 20% do saldo do FGTS, ou um mínimo de R$ 1 mil, para pagamento de débitos. A iniciativa é voltada principalmente a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos e inclui dívidas como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e Fies. A estimativa do governo é liberar até R$ 8,2 bilhões para os trabalhadores.

Para garantir que os recursos sejam usados na quitação de dívidas, o valor do FGTS será transferido diretamente ao banco credor. Quem aderir ao programa também ficará impedido de fazer apostas online por um ano.

Primeira versão renegociou R$ 53 bilhões

A primeira edição do Desenrola, lançada em 2023, renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas de 15 milhões de pessoas. Também houve a retirada de cerca de 10 milhões de registros negativos relacionados a débitos de até R$ 100. Segundo o governo, o programa ajudou a reduzir a inadimplência no período em que esteve ativo, mas o efeito perdeu força ao longo do tempo.

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