A morte do médico Miguel Abdalla Netto, tio de Suzane von Richthofen, encontrado sem vida em sua residência em janeiro deste ano, deu início a uma complexa disputa judicial envolvendo a partilha de seus bens. O falecido, que não era casado oficialmente e não deixou filhos, possuía ao menos dois imóveis valorizados no bairro do Campo Belo, na Zona Sul de São Paulo, tornando a herança um alvo de intensa controvérsia legal.
Os protagonistas da disputa pela herança
De um lado, estão os sobrinhos de Miguel, Suzane von Richthofen e seu irmão, Andreas von Richthofen. Do outro, encontra-se a prima do médico, Carmem Silvia Magnani, que alega ter mantido uma união estável com ele entre os anos de 2011 e 2015 e busca, através da Justiça, o reconhecimento formal dessa relação para ter acesso aos bens deixados.
O contexto familiar e as investigações em andamento
Suzane von Richthofen ficou nacionalmente conhecida após ser condenada pelo assassinato de seus próprios pais em 2002, um crime que chocou o país. Curiosamente, Miguel Abdalla Netto foi o responsável legal por administrar os bens de Andreas, irmão de Suzane, até que este atingisse a maioridade. Além da disputa pela herança, o caso é marcado por investigações sobre as circunstâncias da morte do médico, tratada como suspeita pela Polícia Civil, e por um suposto furto de itens do espólio, incluindo uma lavadora de roupa, um sofá, uma cadeira, documentos e dinheiro, após uma invasão à casa onde ele residia.
Principais questões em aberto no processo judicial
Qual é o cerne da disputa?
Está em jogo a definição de quem possui legitimidade para receber a herança de Miguel Abdalla Netto e quem deve conduzir o inventário de seus bens. A briga judicial coloca frente a frente os sobrinhos diretos e a prima que reivindica direitos com base em uma suposta união estável, tornando o processo particularmente intricado.
O que levou à morte do tio de Suzane?
Miguel Abdalla Netto, de 76 anos, foi encontrado morto no dia 9 de janeiro, na sala de sua casa. Até o momento, as autoridades policiais aguardam a conclusão dos laudos periciais para determinar a causa exata do óbito. A hipótese mais considerada, por enquanto, é a de morte natural, possivelmente decorrente de um infarto, mas as investigações permanecem ativas para descartar qualquer outra possibilidade.
Quem é Carmem Silvia Magnani e qual sua alegação?
Carmem Silvia Magnani é prima de Miguel Abdalla Netto e sustenta que viveu com ele em uma relação conjugal estável durante quatro anos. Ela afirma que compartilhou o mesmo teto e a vida cotidiana como companheira, não meramente como parente. Em contrapartida, Miguel, ainda em vida, sempre negou veementemente qualquer envolvimento amoroso com Carmem, explicando que a permitiu residir em uma de suas propriedades apenas por motivos de assistência financeira.
Carmem tem direito à herança do primo?
Carmem Silvia Magnani somente poderá reivindicar uma parte da herança se a Justiça reconhecer, de forma definitiva, a existência da união estável que ela alega. O processo específico para esse reconhecimento ainda está em tramitação e não foi finalizado. Vale destacar que, em uma ação anterior, Miguel havia solicitado a reintegração de posse de um apartamento ocupado por Carmem, e, em 2024, a Justiça determinou que ela desocupasse o imóvel e pagasse aluguel referente ao período de ocupação. Portanto, a decisão sobre a união estável é considerada crucial para definir seu status como herdeira potencial.
Suzane von Richthofen pode herdar os bens do tio?
De acordo com a legislação brasileira, sobrinhos possuem o direito de herdar os bens de seus tios quando não há cônjuge ou filhos vivos, desde que formalizem o pedido através de via judicial. Nesse contexto, tanto Suzane quanto Andreas estão aptos a pleitear a herança de Miguel Abdalla Netto. No entanto, uma incógnita importante persiste: ainda não se sabe se o médico deixou algum testamento, documento que poderia alterar significativamente a divisão dos bens. É relevante mencionar que, embora Suzane tenha sido excluída da herança de seus próprios pais por decisão judicial em 2015, essa exclusão não se estende automaticamente ao patrimônio do tio, sendo tratada como uma questão separada pela lei.
Houve furto na casa do médico após sua morte?
Sim. A Polícia Civil investiga ativamente uma denúncia de furto ocorrido na residência onde Miguel foi encontrado morto. Conforme registrado no boletim de ocorrência, o imóvel teria sido invadido após o falecimento do médico, com troca de fechaduras e remoção não autorizada de diversos bens. Entre os itens supostamente levados estão móveis, eletrodomésticos, documentos pessoais, quantias em dinheiro e até um veículo que integrava o espólio. A investigação busca apurar quem teve acesso ao local e se houve a prática de irregularidades durante o processo.
Próximos passos e desdobramentos esperados
Os desdobramentos futuros deste caso dependem fundamentalmente de decisões judiciais pendentes. A Polícia Civil aguarda a emissão dos laudos periciais para esclarecer definitivamente a causa da morte de Miguel Abdalla Netto e prossegue com as investigações sobre o furto dos bens do espólio. Paralelamente, a Justiça precisará definir quem será o responsável legal pela condução do inventário e, principalmente, se reconhecerá ou não a união estável alegada por Carmem Silvia Magnani. Apenas após a resolução dessas questões será possível avançar de forma concreta na partilha da herança e na destinação final dos bens deixados pelo médico, encerrando um capítulo marcado por disputas familiares e complexidades legais.