A cidade de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, viveu um longo e tenso capítulo político na última sexta-feira (3). Após uma sessão que se estendeu por mais de 12 horas, a Câmara de Vereadores aprovou o impeachment do prefeito Cristian Wasem (MDB) e do vice-prefeito João Paulo Martins (Progressistas).
Votação e acusações que levaram à cassação
O resultado da votação foi contundente. No caso do prefeito Wasem, foram 14 votos a favor do impeachment e apenas 3 contra. O vice-prefeito João Paulo recebeu 13 votos favoráveis e 4 contrários. Com a decisão, ambos ficam inelegíveis pelos próximos oito anos.
Segundo o procurador-geral da Casa, Rodrigo Silveira, as acusações que fundamentaram o processo foram graves. Contra o prefeito Wasem, pesaram alegações de interferência no funcionamento da Câmara e a prática de pedaladas fiscais no Instituto de Previdência municipal. Em relação ao vice-prefeito, o documento apontou uma suposta contratação emergencial irregular e suspeitas de infrações cometidas durante o período em que ele exerceu interinamente o cargo de prefeito.
Discurso de despedida e reação do prefeito cassado
Antes da votação, que já era dada como certa nos bastidores, Cristian Wasem discursou por quase 40 minutos, em tom de despedida. Ele deixou o plenário antes da divulgação do resultado. "É com muita tristeza que nós estamos passando por esse momento hoje e não estão cassando só o mandato, estão tirando o direito do voto, direito de participar democraticamente", afirmou.
Em nota oficial divulgada após a cassação, Wasem defendeu sua inocência e atacou o processo. "O que ocorreu na Câmara Municipal não é um processo legítimo, tampouco uma apuração responsável de fatos. Trata-se de uma manobra política explícita", escreveu. Ele e o vice foram eleitos com 71,86% dos votos válidos, o que equivale a 47.364 votos. Wasem afirmou ainda que o relatório da comissão processante "admite expressamente a inexistência de crime" e que a cassação foi um "ataque frontal à democracia".
Posse da nova prefeita e próximos passos
Na madrugada de sábado (4), em sessão extraordinária, tomou posse como prefeita interina de Cachoeirinha a então presidente da Câmara, Jussara Caçapava (Avante), que era opositora de Wasem. A nova gestão à frente do Executivo municipal será transitória.
De acordo com a legislação, em até seis meses uma nova eleição municipal deve ser convocada para que a população de Cachoeirinha escolha um novo prefeito ou prefeita para completar o mandato. O episódio marca um dos raros casos na política gaúcha em que tanto o prefeito quanto o vice têm seus mandatos cassados simultaneamente, gerando uma sucessão fora do plano eleitoral original.