Smithsonian altera legado de Trump: retrato sem impeachment e ataque ao Capitólio
Museu remove menções a impeachment de Trump em novo retrato

A Galeria Nacional de Retratos, em Washington, realizou uma mudança significativa na forma como apresenta a presidência de Donald Trump ao público. A instituição, que faz parte do renomado Instituto Smithsonian, substituiu o retrato do ex-presidente e, de forma mais impactante, removeu completamente da legenda qualquer menção aos dois processos de impeachment que ele sofreu e ao ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

O que mudou na exposição "Presidentes da América"

A nova pintura mostra Trump em pé no Salão Oval, com uma expressão séria e os punhos cerrados apoiados sobre a mesa. No entanto, a transformação mais radical está no texto que a acompanha. A legenda foi drasticamente reduzida, contendo agora apenas as datas do seu mandato, de 2017 a 2021.

Até a recente alteração, o texto informava aos visitantes que Donald Trump foi alvo de dois impeachments – o primeiro por abuso de poder e o segundo por incitação à insurreição, após a invasão do Capitólio por seus apoiadores. A legenda anterior também mencionava que ele havia sido absolvido pelo Senado nas duas ocasiões.

Segundo reportagens da imprensa norte-americana, a troca da obra e a supressão das informações ocorreram simultaneamente, sem que o museu fornecesse uma explicação pública detalhada para a decisão.

Uma disputa pela memória histórica

Especialistas e observadores políticos veem a mudança como mais um capítulo nos esforços de Trump para influenciar como sua trajetória será registrada pelas instituições culturais e históricas dos Estados Unidos. Este não é um incidente isolado dentro do complexo Smithsonian.

Em maio de 2025, o ex-presidente afirmou ter demitido a então diretora da Galeria Nacional de Retratos, Kim Sajet, acusando-a de partidarismo e de promover políticas de diversidade, equidade e inclusão. Embora o conselho do Smithsonian tenha rejeitado publicamente a interferência, Sajet deixou o cargo semanas depois.

Outros episódios recentes incluem:

  • Julho de 2025: O Museu Nacional de História Americana, também do Smithsonian, retirou referências aos impeachments de Trump de suas exposições.
  • Março de 2025: Trump assinou uma ordem executiva determinando que a instituição não destinasse recursos a programas ou mostras que, em sua avaliação, "degradassem valores americanos compartilhados".

O rastro do que foi apagado

A Galeria Nacional de Retratos optou por não comentar oficialmente as razões por trás da alteração. Em declaração ao jornal The Washington Post, uma porta-voz afirmou que o museu está estudando o uso de legendas mais neutras e sucintas em algumas de suas exposições. Ela também lembrou que o retrato de Trump já havia sido alterado anteriormente.

O resultado da mudança, no entanto, é visualmente evidente. A nova placa com a legenda enxuta é tão curta que deixa visível o contorno da placa anterior, maior, que foi removida. Este detalhe físico serve como uma metáfora poderosa: um vestígio palpável do que foi apagado da narrativa oficial apresentada aos visitantes do museu.

A relação de Donald Trump com sua própria representação iconográfica sempre foi tensa. No ano passado, ele criticou asperamente um retrato seu exposto no Capitólio do Colorado, classificando-o como "propositadamente distorcido". A obra foi substituída meses depois. Recentemente, ele também ordenou a instalação de uma espécie de "Caminhada da Fama Presidencial" na Casa Branca, que notavelmente não incluía seu sucessor, Joe Biden.

A alteração na Galeria Nacional de Retratos reacende o debate sobre quem controla a narrativa histórica e como eventos políticos traumáticos e divisivos devem ser lembrados e ensinados em instituições públicas. A ausência das menções aos impeachments e ao ataque de 6 de janeiro levanta questões sobre a neutralidade e a completude do registro histórico oferecido por um dos museus mais importantes do país.