O governo da Ucrânia declarou estado de emergência em seu setor de energia, que está à beira do colapso após uma nova onda de ataques aéreos russos. O país enfrenta o que está sendo descrito como o pior inverno desde o início da invasão pelas tropas de Vladimir Putin, há quase quatro anos.
Colapso energético e resposta do governo
O presidente Volodimir Zelenski anunciou a criação de um gabinete com poderes emergenciais para direcionar recursos a reparos urgentes na infraestrutura energética. Duas grandes ondas de ataque, na quinta-feira (8) e na segunda-feira (12), deixaram mais da metade da capital Kiev sem energia elétrica.
Embora os esforços iniciais se concentrem na capital, a degradação das redes de transmissão é um problema nacional. Para aliviar a situação, o país aumentou a importação de energia de nações vizinhas. Dados da consultoria local DiXi Group mostram que, em dezembro, o volume de energia importada foi 54% maior em comparação com junho.
Consequências severas para a população
Os problemas se multiplicam em uma espiral perigosa. As temperaturas noturnas têm caído para cerca de -20 graus Celsius, permanecendo negativas durante o dia. Este frio extremo dificulta ainda mais os trabalhos de reparo em subestações e linhas de transmissão danificadas por drones e mísseis.
A Rússia afirma que os ataques visam a capacidade da indústria de defesa ucraniana, mas o efeito mais evidente é a desmoralização da população civil. Moradores de cidades como Kiev e Kharkiv têm recorrido ao derretimento da neve para obter água potável, já que as bombas de distribuição não funcionam sem eletricidade.
A situação é desesperadora:
- Lareiras improvisadas e fogueiras dentro de apartamentos elevam o risco de incêndios.
- O aquecimento, que também depende de energia, está comprometido após ataques a depósitos de gás.
- A estatal Ukrenergo relata que, em dias de ataques, a capacidade de produção e distribuição de energia pode cair a zero.
O governo tem estocado grandes quantidades de madeira para distribuir a locais sensíveis, como hospitais e acampamentos militares na linha de frente. Em Kiev, além dos 1.200 abrigos antiaéreos aquecidos, foram montados 68 pontos com geradores para que a população possa buscar calor e recarregar telefones celulares.
Mudanças no governo e negociações de paz
"As consequências dos ataques russos e da degradação das condições do tempo são severas", escreveu Zelenski na rede social X. Em resposta à crise, ele nomeou o vice-primeiro-ministro Denis Chmial como o novo ministro da Energia. O político terá poderes extraordinários, e pode haver alterações nas regras do toque de recolher em algumas cidades para manter os cidadãos em abrigos.
Chmial cedeu seu cargo anterior, na crucial pasta da Defesa, a Mikhailo Fedorov, um tecnocrata de 34 anos. A indicação foi criticada por blogueiros militares ucranianos. Ao aceitar a função, Fedorov disse que focará seus esforços na modernização tecnológica no campo de batalha.
Enquanto isso, as negociações para tentar pôr fim ao conflito seguem em ritmo lento. Segundo a agência Bloomberg, o negociador americano Steve Witkoff deve ir a Moscou em breve para discutir com Putin uma versão revisada do plano de paz anteriormente associado a Donald Trump, agora com uma redação mais favorável a Kiev.
A chancelaria russa não confirmou o encontro, mas afirmou que o país está aberto a quaisquer negociações, sinalizando que a reunião deve ocorrer. Na versão atual, o ponto mais delicado da proposta é a sugestão de uma força de paz europeia para monitorar um eventual cessar-fogo, algo que Putin não aceita.