Rússia ignora trégua de Trump e lança ataque massivo à Ucrânia antes de negociações
Rússia ataca Ucrânia antes de negociações, ignora trégua de Trump

Rússia desrespeita trégua e intensifica ofensiva na Ucrânia em véspera de diálogo de paz

A Rússia lançou um ataque massivo contra a infraestrutura energética da Ucrânia na madrugada de terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, rompendo uma trégua temporária que havia sido acordada a pedido do presidente americano Donald Trump. A ofensiva ocorreu em meio a temperaturas congelantes de -20°C, deixando mais de 1.000 prédios residenciais sem aquecimento e energia elétrica na capital Kiev, agravando a crise humanitária no país.

Investida violenta em pleno inverno rigoroso

O ataque contou com aproximadamente 450 drones e cerca de 70 mísseis, atingindo usinas de calefação e outras instalações elétricas em várias cidades ucranianas. De acordo com a empresa privada DTEK, esta foi a nona ofensiva massiva contra o setor energético desde outubro, com duas usinas voltadas exclusivamente para aquecimento residencial sendo danificadas, configurando-se como ataques a infraestrutura civil.

Além de Kiev, cidades como Kharkiv, Dnipro, Izium e Balakliia também registraram comprometimento severo de suas redes de energia. Em Kharkiv, mais de 800 edifícios perderam capacidade de calefação, enquanto na capital ucraniana 1.170 prédios ficaram sem luz. O prefeito de Kharkiv, Oleksiy Kuleba, denunciou no Telegram que o objetivo russo era "causar a máxima destruição e deixar a cidade sem aquecimento em meio ao frio intenso".

Zelensky pede mais defesas e pressão contra Putin

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reagiu com indignação ao ataque, afirmando em publicação no X (antigo Twitter) que "aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar as pessoas é mais importante para a Rússia do que recorrer à diplomacia". Zelensky fez um apelo urgente aos parceiros internacionais para que aumentem o fornecimento de mísseis para sistemas de defesa aérea, visando proteger a vida normal dos cidadãos.

O mandatário ucraniano também enfatizou que a ação russa demonstra a necessidade de manter pressão sobre Vladimir Putin, declarando: "Sem pressão, não haverá fim para essa guerra. Moscou está optando pelo terror e pela escalada, e é por isso que é necessária a máxima pressão".

Consequências humanitárias e potenciais crimes de guerra

Os ataques não se limitaram à infraestrutura energética, atingindo também residências civis. Moradores de Kiev relataram fortes explosões durante a madrugada, com cinco distritos da capital sendo afetados e um apartamento em andares superiores consumido pelas chamas. Até o momento, foram registrados pelo menos nove feridos no episódio.

Segundo a Convenção de Genebra, promover ataques contra infraestrutura civil constitui potencial crime de guerra. A situação se torna ainda mais crítica porque os reparos são dificultados pelo conflito em curso, deixando o sistema energético ucraniano sob sérias restrições e mais vulnerável a apagões futuros, mesmo com equipes de engenheiros trabalhando constantemente.

Trégua rompida dias antes de negociações em Abu Dhabi

O ataque ocorreu apenas um dia após o término da trégua temporária acordada entre Donald Trump e Vladimir Putin. Na quinta-feira anterior, 29 de janeiro, o presidente americano havia declarado ter pedido a seu homólogo russo que suspendesse os ataques devido ao frio excepcional, afirmando: "Ele concordou. E devo dizer que fui muito gentil".

O Kremlin confirmou o acordo através de seu porta-voz Dmitry Peskov, estabelecendo que a trégua seria válida até domingo, 1º de fevereiro, com o objetivo declarado de "criar condições mais favoráveis para as negociações" de cessar-fogo. Essas conversas estão programadas para ocorrer ainda nesta semana em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, envolvendo autoridades da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos.

Plano de paz em discussão

As negociações ocorrem em meio a relatos de que Kiev aceitou um plano de várias etapas para o fim da guerra, conforme informações do jornal Financial Times. O acordo estabeleceria que uma violação do tratado por parte de Moscou geraria uma resposta escalonada, que poderia chegar a uma intervenção militar por uma coalizão de países — incluindo os Estados Unidos — no pior dos cenários.

O ataque massivo desta terça-feira, portanto, representa não apenas uma grave crise humanitária em pleno inverno ucraniano, mas também um significativo obstáculo diplomático às vésperas de conversas que poderiam definir os rumos do conflito. A escalada militar russa contrasta fortemente com os esforços de mediação internacional e coloca em dúvida a disposição de Moscou para um acordo de paz sustentável.