Israel reabre passagem de Rafah após quase dois anos de fechamento
Nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, Israel reabriu a passagem de Rafah, localizada na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, após quase dois anos de controle e fechamento total. A medida ocorre no contexto da guerra com o grupo terrorista Hamas e representa um passo significativo no plano de paz mediado pelos Estados Unidos.
Trânsito limitado de pessoas e ambulâncias
A reabertura permitiu, inicialmente, o trânsito de pessoas a pé e de ambulâncias, facilitando a saída de palestinos do território e o retorno daqueles que haviam fugido durante o conflito. Dezenas de ambulâncias foram avistadas em ambos os lados da fronteira, algumas no lado egípcio aguardando para resgatar feridos, enquanto outras embarcavam pacientes em hospitais de Gaza.
Cerca de 20 mil palestinos aguardavam a reabertura para buscar tratamento médico fora de Gaza, conforme relato de organizações não governamentais que monitoram a situação humanitária na região.
Restrições e verificações de segurança
A reabertura, no entanto, será limitada e sujeita a rigorosas verificações de segurança impostas por Israel para todos os palestinos que entrarem ou saírem. Espera-se que Israel e o Egito estabeleçam limites no número de viajantes, com a mídia estatal egípcia indicando que apenas 50 pessoas seriam autorizadas a atravessar em cada sentido nos primeiros dias.
Equipes europeias de monitoramento já chegaram à passagem para supervisionar as operações, conforme declarou um oficial de segurança israelense, que afirmou que o local "agora está aberto à circulação de moradores, tanto para entrada quanto para saída".
Contexto histórico e impacto humanitário
Israel assumiu o controle da passagem de Rafah em maio de 2024, aproximadamente nove meses após o início da guerra em Gaza, que foi interrompida de forma frágil por um cessar-fogo em outubro, mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reabertura era um requisito crucial da primeira fase do plano mais amplo de Trump para interromper os combates entre Israel e militantes do Hamas.
Nos primeiros nove meses da ofensiva israelense, lançada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, os palestinos geralmente conseguiam fugir para o Egito por Rafah. Autoridades palestinas estimam que cerca de 100 mil palestinos fugiram de Gaza desde o início da guerra, a maioria durante esse período inicial, muitos com patrocínio de grupos humanitários ou pagando propinas a intermediários no Egito.
O fechamento da passagem, que também incluiu o corredor Filadélfia ao longo da fronteira, interrompeu uma rota vital para palestinos feridos e doentes buscarem atendimento médico externo. Embora alguns milhares tenham sido autorizados a sair via Israel no último ano, milhares ainda necessitam de cuidados no exterior, segundo as Nações Unidas.
Reações internacionais e desafios persistentes
Kaja Kallas, chefe da política externa da União Europeia, elogiou a reabertura, descrevendo-a como "um passo concreto e positivo no plano de paz". Ela destacou o papel vital da passagem para ajudar palestinos doentes e feridos, com uma missão da UE no local para monitorar e auxiliar no processo.
Apesar da reabertura, Israel continua a proibir a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza desde o início da guerra, que causou destruição generalizada e devastou grandes áreas do território, limitando a cobertura independente da situação humanitária.