Irã rejeita restrições ao enriquecimento de urânio, exigência dos EUA para trégua
Irã rejeita restrições ao enriquecimento de urânio

Irã rejeita restrições ao enriquecimento de urânio, exigência dos EUA para trégua

O Irã descartou categoricamente restringir seu programa de enriquecimento de urânio, uma exigência crucial dos Estados Unidos e de Israel para o cessar-fogo em vigor. A declaração foi feita por Mohammad Eslami, chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, que classificou as demandas como "ilusões que serão enterradas".

Negociações tensas no Paquistão

Os Estados Unidos e o Irã concordaram com uma trégua de duas semanas e o início de negociações para pôr fim a uma guerra que causou centenas de milhares de mortes e abalou a economia global. A primeira reunião está marcada para este final de semana no Paquistão, tendo o enriquecimento de urânio no Irã como um dos principais pontos de discórdia.

Eslami afirmou em entrevista à agência de notícias estatal Isna que "todas as conspirações e ações de nossos inimigos, incluindo esta guerra brutal, não levaram a nada". Segundo ele, os Estados Unidos tentam em vão alcançar, "por meio de negociações", os objetivos que não conseguiram atingir no conflito armado.

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Urânio a 60% e acusações mútuas

Washington acusa Teerã de estar perto de ser capaz de fabricar uma arma nuclear, uma alegação não corroborada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A República Islâmica nega ter a intenção de desenvolver uma bomba atômica e afirma que seu programa nuclear tem apenas fins civis.

No entanto, a AIEA revelou haver no Irã urânio enriquecido em até 60%, criando um estoque de mais de 400 quilos do material. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de pureza considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.

Desentendimentos sobre os termos da trégua

Apesar de muitas partes da trégua anunciada na noite de terça-feira por Donald Trump não estarem claras, alguns dos 15 pontos exigem o compromisso do Irã de não possuir armas nucleares, bem como a entrega de seu estoque de urânio altamente enriquecido. A contraproposta iraniana, com dez pontos, por sua vez, prevê "aceitação do enriquecimento".

A Casa Branca indicou que o plano que recebeu do governo islâmico não corresponde com a versão que tem sido divulgada pelos aiatolás. Trump havia chamado a proposta de "base viável para negociação", mas as discrepâncias permanecem.

Ameaças e respostas firmes

Na quarta-feira, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, advertiu que os Estados Unidos "tomarão" o estoque de urânio do Irã caso o país não concorde em entregá-lo voluntariamente. Anteriormente, Trump havia afirmado que "não haverá mais enriquecimento de urânio" na nação persa.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, rebateu que a negação do direito do Irã ao enriquecimento de urânio viola uma das cláusulas-chave da proposta de dez pontos, "tornando um cessar-fogo bilateral ou negociações inviáveis".

Contexto histórico do programa nuclear

A guerra começou em meio a negociações entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano, que se encontravam em um impasse. Foi o ápice da tensão em torno do tema, que se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global.

Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais. Em junho de 2025, os Estados Unidos já haviam bombardeado instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito.

Segundo estimativas anteriores da AIEA, antes dos bombardeios realizados em junho, Teerã possuía cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%. De acordo com o chefe da agência, Rafael Grossi, cerca de 200 kg do material que sobreviveram aos ataques aéreos no ano passado estariam armazenados em túneis profundos próximos ao complexo nuclear de Isfahan.

Outra quantidade do material estaria em Natanz, onde o Irã construiu uma nova instalação fortificada e subterrânea conhecida entre analistas ocidentais como "Pickaxe Mountain". As negociações que começam agora enfrentam o desafio de superar anos de desconfiança e posições diametralmente opostas sobre o futuro do programa nuclear iraniano.

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