Irã ameaça atacar bases dos EUA e professor vê reflexo da guerra China-EUA
Irã ameaça atacar bases dos EUA; tensão reflete guerra China-EUA

O governo do Irã emitiu um alerta direto a nações vizinhas que abrigam tropas dos Estados Unidos, ameaçando realizar ataques caso Washington intervenha nos protestos internos do país persa. A escalada de tensão ocorre após declarações públicas do ex-presidente norte-americano Donald Trump e acusações de que EUA e Israel estariam fomentando os distúrbios.

Ameaças e alertas em meio a protestos violentos

Segundo informações da agência Reuters, autoridades iranianas aconselharam diplomatas a deixarem a principal base aérea norte-americana na região. Este movimento é visto como um prenúncio de possíveis ataques, semelhante ao que aconteceu horas antes de um bombardeio com mísseis no ano passado.

A repressão aos protestos atuais tem sido especialmente violenta. De acordo com o professor de relações internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, o controle da situação saiu das mãos das alas mais moderadas do regime e passou para os setores mais radicais, especialmente a Guarda Revolucionária Iraniana.

“Pela primeira vez, a Guarda Revolucionária iraniana atira para matar, atira com munição real, atirando na cabeça das pessoas”, destacou Trevisan em entrevista ao Conexão Record News na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026. Essa mudança no comando da repressão resultou em um aumento significativo no número de mortos nos últimos dias.

O tabuleiro geopolítico: Irã no centro da disputa China-EUA

O especialista ressalta, no entanto, que os Estados Unidos precisam agir com cautela em qualquer resposta às ameaças iranianas. A razão principal é a forte e estratégica relação entre Teerã e Pequim.

A China é a principal compradora do petróleo iraniano, adquirindo praticamente toda a produção, e é também a fornecedora de produtos industrializados para o país. Essa interdependência econômica faz do Irã um peão fundamental no grande jogo de forças entre as duas superpotências.

“Em outras palavras, nós temos sim um conflito no Irã, que ele, de algum modo, traduz muito do conflito maior entre China e Estados Unidos. Não nos esqueçamos que a China é a grande protetora do Irã”, completou o professor.

Consequências e o risco de um conflito ampliado

A análise aponta que qualquer ação militar mais contundente por parte dos Estados Unidos ou de seus aliados na região pode ser interpretada por Pequim como uma ameaça direta aos seus interesses energéticos e estratégicos. Isso eleva o risco de o conflito transcender as fronteiras do Irã, transformando uma crise interna em um confronto internacional de maiores proporções.

Os países vizinhos que hospedam bases americanas, portanto, encontram-se em uma posição delicada, pressionados tanto pela ameaça iraniana quanto pela complexa dinâmica geopolítica que envolve Washington e Pequim. A cautela solicitada por esses vizinhos a Washington não é apenas um pedido por estabilidade regional, mas um reflexo do temor de se tornarem palco de um embate entre gigantes.

O cenário atual no Irã, portanto, vai muito além dos protestos de rua. Ele funciona como um microcosmo e um potencial estopim para a tensão global que define a relação entre a China, que busca consolidar sua esfera de influência, e os Estados Unidos, que tentam manter sua hegemonia. O petróleo iraniano e a estabilidade do regime dos aiatolás são, neste momento, algumas das peças mais valiosas neste jogo.