Porta-voz da Casa Branca abandona coletiva após confronto sobre ICE e morte de Renee Good
Porta-voz deixa coletiva após confronto sobre ICE

Um confronto tenso marcou a coletiva de imprensa da Casa Branca na quinta-feira, 15 de janeiro, culminando com a saída abrupta da porta-voz Karoline Leavitt. O episódio ocorreu após perguntas incisivas sobre a atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) e sua relação com a morte da cidadã norte-americana Renee Good.

O confronto direto com a imprensa

Durante a sessão de perguntas, o jornalista irlandês Niall Stanage trouxe à tona dados preocupantes sobre a agência. Ele mencionou que, no ano anterior, 32 pessoas faleceram sob custódia do ICE e que 170 cidadãos norte-americanos foram detidos pelo órgão. O ponto central foi a morte de Renee Good, alvejada na cabeça por um agente do ICE. "Como isso equivale a dizer que vocês estão fazendo tudo corretamente?", questionou Stanage, referindo-se a uma declaração anterior da secretária de Segurança Interna.

A resposta de Leavitt foi outra pergunta: "Por que Renee Good, infelizmente e tragicamente, foi morta?". Quando o jornalista indagou se ela pedia sua opinião pessoal, a porta-voz confirmou. "Porque um agente do ICE agiu de forma imprudente e a matou de maneira injustificada", respondeu Stanage.

Ataques pessoais e acusações de parcialidade

A reação de Karoline Leavitt foi imediata e contundente. "Então você é um jornalista tendencioso, com uma opinião de esquerda", rebateu. "Porque você é um infiltrado da esquerda", continuou, elevando o tom do debate. A porta-voz seguiu com os ataques, afirmando que Stanage estava "se fazendo passar" por jornalista, algo que, segundo ela, ficou claro "pela premissa da sua pergunta".

Dirigindo-se à sala cheia de repórteres, Leavitt disparou: "Pessoas da mídia que têm esse viés, mas fingem ser jornalistas, nem deveriam estar sentadas nesses lugares. Vocês fingem ser jornalistas, mas são ativistas de esquerda". Ela também desafiou o jornalista a apresentar dados sobre quantos cidadãos norte-americanos "foram mortos por imigrantes ilegais que o ICE está tentando remover", afirmando "Aposto que não".

Em sua defesa final da agência, declarou: "Os homens e mulheres corajosos do ICE estão fazendo tudo o que podem para remover esses indivíduos horríveis e tornar nossa comunidade mais segura. Pessoas como você, na mídia, deveriam sentir vergonha". Pouco depois, Leavitt deixou a coletiva de imprensa, deixando as perguntas sem uma resposta formal.

O caso que acirrou os ânimos: a morte de Renee Good

A reação explosiva da porta-voz ocorre no centro de uma polêmica nacional. Renee Good, uma norte-americana de 37 anos, foi morta pelo agente do ICE Jonathan Ross no dia 7 de janeiro. O incidente aconteceu quando Good, após deixar um de seus três filhos na escola, passou com sua esposa, Becca Good, por um protesto anti-ICE durante uma operação do serviço de imigração.

As versões sobre o ocorrido são diametralmente opostas. A administração dos Estados Unidos sustenta que o agente agiu em legítima defesa, alegando que Renee Good o atropelou, causando-lhe até uma hemorragia interna. Contudo, testemunhas e ativistas contestam essa narrativa, afirmando que os quatro disparos efetuados foram desnecessários e que o carro de Renee sequer teria encostado no agente, descartando a tese de defesa pessoal.

A morte gerou uma forte indignação na sociedade norte-americana, que já demonstrava insatisfação com a atuação do ICE ao longo do último ano. O caso levou a protestos em massa em todo o país, com especial intensidade no estado de Minnesota, local onde o incidente fatal ocorreu. O episódio na coletiva da Casa Branca é mais um capítulo na crescente tensão entre a imprensa e o governo sobre a política de imigração e os métodos utilizados pelo ICE.