Ex-secretário de Bolsonaro Defende que PL Assuma Despesas de Vítimas de Descarga Elétrica
O advogado e ex-secretário do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, utilizou as redes sociais para fazer uma sugestão polêmica e direta. Ele propôs que o Partido Liberal (PL) seja responsável por custear integralmente todos os gastos médicos das trinta pessoas que ficaram feridas após um raio atingir uma manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em Brasília, no último domingo, dia 25 de janeiro de 2026.
Detalhes do Acidente e dos Feridos
O incidente ocorreu por volta das 13 horas, próximo ao Memorial JK, quando uma forte descarga elétrica caiu nas proximidades de um grupo de manifestantes. Essas pessoas aguardavam a chegada de Nikolas Ferreira à Praça do Cruzeiro, mesmo sob condições climáticas adversas, com chuva intensa. O ato era parte dos preparativos para uma caminhada de protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, o balanço oficial do acidente é alarmante:
- Um total de 72 indivíduos receberam algum tipo de atendimento médico no local.
- Dentre esses, 30 precisaram ser encaminhados para unidades hospitalares da capital federal.
- Os principais hospitais que receberam as vítimas foram o Hospital de Base do Distrito Federal e o Hospital Regional de Asa Norte.
- Oito das pessoas atendidas encontram-se em estado grave, exigindo cuidados médicos especializados e contínuos.
Posicionamento de Wajngarten nas Redes Sociais
Em uma publicação no X, antigo Twitter, Wajngarten foi enfático ao defender a responsabilidade partidária. "Sugestão: o Partido Liberal deveria custear todas as despesas de todos os envolvidos no terrível acidente do raio durante o ato de hoje. Sem exceção, sem desculpas. Em último caso, [deveria fazer] uma vaquinha imediatamente. Deveria [também] nomear um representante para acompanhar todas as famílias e informar a todos", escreveu o advogado, demonstrando preocupação com o bem-estar dos afetados.
Essa declaração rapidamente ganhou repercussão na mídia e entre o público, levantando debates sobre a responsabilidade civil e moral de partidos políticos em eventos que organizam ou apoiam. A sugestão de uma "vaquinha" (campanha de financiamento coletivo) como alternativa imediata reforça a urgência da situação, diante dos custos elevados com tratamentos de saúde.
Resposta dos Organizadores e Continuidade do Ato
Apesar da gravidade do acidente e do susto generalizado, a manifestação liderada por Nikolas Ferreira não foi cancelada. Enquanto uma parte dos participantes decidiu deixar o local, movida pelo medo e pela comoção, outro grupo optou por permanecer, entoando cantos em uníssono, como "Eu não vou embora". Essa decisão gerou controvérsias, com críticas sobre a priorização do evento em detrimento da segurança.
Medidas de precaução foram tomadas para evitar novos incidentes. Equipamentos elétricos e cabos foram retirados da área, e um guindaste que sustentava uma enorme bandeira do Brasil foi rebaixado, reduzindo os riscos de outras descargas elétricas. O Corpo de Bombeiros, que já monitorava o ato, montou uma tenda de emergência para atendimento rápido, e vídeos compartilhados nas redes sociais mostram cenas de solidariedade, com manifestantes carregando colegas feridos nos braços até o socorro.
Busca por Posicionamento do Partido Liberal
A revista VEJA entrou em contato com a assessoria do Partido Liberal para questionar sobre possíveis ações em apoio às vítimas. Até o momento, não houve retorno oficial da legenda, deixando em aberto se a sugestão de Wajngarten será considerada ou se outras medidas serão implementadas. A falta de resposta imediata alimenta especulações sobre o comprometimento do partido com os afetados, em um contexto onde a assistência médica e o acompanhamento familiar são cruciais para a recuperação.
Este caso destaca não apenas as consequências imprevisíveis de eventos ao ar livre sob condições climáticas extremas, mas também as complexas dinâmicas políticas e sociais que envolvem a organização de manifestações públicas. A discussão sobre quem deve arcar com os custos em situações de acidentes durante atos partidários promete continuar, especialmente diante do estado grave de oito vítimas e das dezenas de feridos que necessitam de cuidados prolongados.