Governadores em fim de mandato hesitam em disputar Senado por receio de traição dos vices
Em um cenário político marcado por tensões e alianças frágeis, dois governadores destacam-se como exceções entre os doze em fim de mandato que poderiam concorrer ao Senado nas eleições de outubro deste ano. Carlos Brandão, do Maranhão, e Marcos Rocha, de Rondônia, ambos favoritos nas pesquisas de intenção de voto, resistem à ideia de abandonar seus cargos para disputar uma vaga na Casa legislativa.
O dilema de Carlos Brandão no Maranhão
Carlos Brandão, atualmente sem partido, lidera as pesquisas no Maranhão, mas tem se mostrado disposto a permanecer no governo até o fim de seu mandato, em dezembro. Se optasse por concorrer ao Senado, ele seria obrigado a se afastar do cargo até abril, o que significaria entregar o posto a seu vice, Felipe Camarão, do PT, com quem rompeu relações políticas.
Brandão afirmou categoricamente: "Vou até o fim porque não vou entregar o cargo a alguém que se juntou com meus adversários." Essa decisão, no entanto, pode abrir caminho para que Camarão tenha a chance de disputar o Senado, criando um impasse estratégico no Estado.
A situação de Marcos Rocha em Rondônia
Em Rondônia, o governador Marcos Rocha, da União, enfrenta um dilema similar. Apesar de surgir como favorito nas pesquisas, ele considera desistir da disputa senatorial. O rompimento com seu vice, Sérgio Gonçalves, também da União, ocorreu após um episódio emblemático.
Em junho do ano passado, durante uma viagem a Israel, Rocha ficou retido no aeroporto de Tel-Aviv devido à guerra. Aproveitando a ausência, Gonçalves impetrou uma ação na Justiça para suspender uma lei local que permitia ao governador exercer seu cargo mesmo fora do Estado. Rocha comentou sobre o caso: "É muito difícil entregar o governo nas mãos de alguém que me trai." Ele, porém, não descarta rever a decisão, indicando que o cenário político pode ainda mudar.
Contexto eleitoral e implicações políticas
Das 81 vagas do Senado, 54 estarão em disputa nas eleições de outubro, atraindo a atenção de governadores em fim de mandato. A hesitação de Brandão e Rocha reflete um fenômeno mais amplo na política brasileira, onde relações de confiança entre titulares e vices são frequentemente testadas.
- No Maranhão, a possível desistência de Brandão pode beneficiar o vice Felipe Camarão, alterando o equilíbrio de forças locais.
- Em Rondônia, a incerteza sobre a candidatura de Rocha deixa a corrida senatorial em aberto, com potenciais impactos na administração estadual.
Esses casos ilustram como medos de traição e conflitos internos podem influenciar decisões estratégicas em ano eleitoral, afetando não apenas as carreiras políticas individuais, mas também a dinâmica de poder nos Estados.