Protagonismo do Brasil está em xeque no cenário global, avalia economista da FGV
O economista Renan Pieri, da Fundação Getulio Vargas (FGV), levantou um alerta sobre a posição do Brasil no cenário internacional. Em uma análise exclusiva, ele avalia que as mudanças globais nas relações entre os países são permanentes e não um mero desvio temporário. Essa perspectiva coloca em xeque o protagonismo que o Brasil já exerceu em outros momentos históricos.
Expectativas internacionais e a aposta no multilateralismo clássico
Segundo Pieri, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva carrega uma expectativa internacional elevada que pode não se confirmar. O economista argumenta que Lula parece apostar no retorno de uma ordem econômica anterior, baseada no multilateralismo clássico, como se o atual cenário — marcado pela política de Donald Trump — fosse apenas um fenômeno passageiro.
"Tenho minhas dúvidas se o gênio volta para dentro da lâmpada", resume Pieri, usando uma metáfora para ilustrar sua desconfiança sobre a reversão das tendências globais. Essa leitura ajuda a explicar, na visão do especialista, a ausência do Brasil no Fórum Econômico Mundial, um evento de grande relevância para a economia global.
Perda de relevância e foco em fóruns regionais
A opção do presidente Lula por participar de um fórum regional na América Latina, em vez do encontro mundial, foi interpretada por Pieri como um sinal claro de perda de relevância internacional. A mensagem passada ao mercado e aos líderes globais, segundo ele, é direta: o Brasil hoje "não é um player tão importante assim" no momento atual.
O economista avalia que o país está distante do protagonismo que já exerceu em outras épocas, o que reflete uma mudança significativa na correlação de forças globais. Essa análise sugere que o Brasil precisa repensar sua estratégia para recuperar uma posição de destaque no cenário internacional.
Viagens presidenciais com viés político e pouco efeito econômico
Pieri também comenta sobre as viagens e discursos recentes do presidente Lula, destacando que eles têm um viés mais político do que econômico. Na visão do economista, essas ações estão focadas principalmente no âmbito interno e até eleitoral, com pouco efeito prático na geração de negócios ou no fortalecimento econômico do país.
Embora haja uma tentativa de reafirmar a liderança regional do Brasil na América Latina, essa estratégia esbarra na nova guinada da política externa americana para a região. Pieri defende cautela no "jogo de palavras" com Estados Unidos e Venezuela, enfatizando a necessidade de um pragmatismo estratégico.
Estratégia pragmática e a relação com os Estados Unidos
O recado do economista é pragmático: o Brasil precisa adotar uma estratégia "pé no chão", reconhecendo que, goste ou não, está longe de ser um parceiro central para os americanos na atual correlação de forças globais. Isso implica em uma abordagem mais realista e menos idealizada nas relações internacionais.
Em resumo, a análise de Renan Pieri aponta para um momento de reflexão e ajuste na política externa e econômica brasileira, com o país enfrentando desafios para manter seu protagonismo em um mundo em transformação.