Pressão política sobre Banco Central atrasa queda de juros, alerta economista
Em entrevista ao programa Mercado, o economista Bruno Lavieri, da 4Intelligence, fez um alerta contundente sobre os riscos da pressão política sobre o Banco Central. Segundo ele, tentativas de influenciar a política monetária podem até render aplausos no curto prazo, mas saem caro para a economia no médio e longo prazo.
Instituições enfraquecidas e 'tiro no pé'
Lavieri foi direto ao ponto: atacar o Banco Central enfraquece as instituições e acaba funcionando como um "tiro no próprio pé". Ele destacou que esse não é um problema exclusivo do Brasil, citando exemplos de pressão política sobre o Federal Reserve nos Estados Unidos, inclusive em discursos de lideranças.
Regime de metas de inflação em foco
O economista explicou o funcionamento do regime de metas de inflação, adotado pelas principais economias do mundo:
- No Brasil, o Banco Central tem a missão de conduzir os juros para manter a inflação dentro da meta de 3%, com banda de tolerância.
- Nos Estados Unidos, o Federal Reserve trabalha com um alvo de 2%.
A lógica é simples: quando o Banco Central tem liberdade e credibilidade, o esforço para controlar a inflação é menor. Isso, por sua vez, ajuda a derrubar os juros de forma mais sustentável ao longo do tempo.
Consequências da pressão política
O problema surge quando presidentes e governos tentam interferir na política monetária de forma agressiva. Ao minar a confiança no Banco Central, o efeito é o oposto do desejado:
- A autoridade monetária precisa ser ainda mais dura para mostrar compromisso com a meta de inflação.
- A queda dos juros demora mais para acontecer, prolongando o custo do crédito para consumidores e empresas.
Respeito institucional como solução
Traduzindo o economês: menos discurso político e mais respeito institucional significam:
- Inflação mais previsível e controlada.
- Juros estruturalmente menores no médio e longo prazo.
- Uma economia que funciona melhor para todos, do consumidor ao investidor.
Lavieri enfatizou que a independência do Banco Central é crucial para a estabilidade econômica. Sem confiança na instituição, o caminho para a redução dos juros se torna mais longo e tortuoso, com impactos negativos sobre o crescimento e o emprego.