Os principais líderes do Partido Liberal no Rio de Janeiro, conhecidos como caciques, agendaram um encontro crucial para o início de fevereiro, com o objetivo de definir um nome para assumir o governo do estado em um mandato-tampão. A reunião contará com a presença do senador Flávio Bolsonaro, do governador Cláudio Castro e do presidente do diretório estadual do PL, Altineu Côrtes, que buscarão pessoalmente chegar a um acordo sobre essa questão política delicada.
Contexto do mandato-tampão
O mandato-tampão será aberto devido à saída de Cláudio Castro, que planeja lançar sua candidatura ao Senado. O governador tem até abril para se desincompatibilizar do cargo executivo, conforme exigências legais. Como o vice-governador, Thiago Pampolha, já deixou o Executivo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, a responsabilidade de escolher um substituto recai sobre a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que realizará uma eleição indireta para completar o mandato.
Interesses divergentes dentro do PL
Dentro do Partido Liberal, há disputas significativas em relação à escolha do nome para o mandato-tampão. Cláudio Castro busca emplacar um candidato de sua confiança, que já esteja familiarizado com a máquina do estado, para garantir que o mandato seja concluído sem ameaçar seus interesses políticos. O favorito nesse cenário é o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, que se filiou ao PL em dezembro, fortalecendo sua posição.
Por outro lado, uma ala do partido ligada ao senador Flávio Bolsonaro defende que o PL deveria aproveitar essa oportunidade para indicar um nome forte, capaz de disputar a sucessão governamental em outubro. Com a caneta na mão, esse candidato poderia se apresentar ao eleitorado e demonstrar serviço, o que seria estratégico para Flávio Bolsonaro, que deve enfrentar Lula na eleição presidencial e deseja uma candidatura competitiva no Rio para lhe dar palanque.
Vantagem do PL na Alerj
O Partido Liberal possui maioria na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o que garante uma vantagem significativa na eleição indireta. Essa posição foi ampliada recentemente, após Guilherme Delaroli, do PL, assumir a presidência da Casa Legislativa em dezembro, substituindo Rodrigo Bacellar, da União, que foi preso preventivamente pela Polícia Federal e agora está afastado com tornozeleira eletrônica por suspeitas de vazar informações de operações policiais.
O encontro entre os caciques do PL está marcado para ocorrer logo após o retorno de Cláudio Castro de uma viagem, previsto para o dia 8 de fevereiro. Essa reunião é vista como um momento decisivo para alinhar as estratégias do partido e evitar conflitos internos que possam prejudicar suas ambições eleitorais no estado.