Governo Lula deve perder mais de 20 ministros até abril por causa das eleições de 2026
Mais de 20 ministros deixarão governo Lula até abril por eleições

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta uma significativa renovação em seu quadro ministerial nos próximos meses, impulsionada pelo calendário eleitoral. Mais de vinte ministros devem deixar seus cargos até o início de abril, atendendo às exigências da legislação eleitoral brasileira para disputar as eleições de 2026.

Prazo legal define saída de ministros

De acordo com as regras eleitorais, titulares de cargos públicos que desejam concorrer a cargos eletivos precisam se desincompatibilizar até seis meses antes da votação. O prazo final para essa movimentação é 4 de abril de 2026, o que explica a concentração de saídas nos próximos meses. Essa dinâmica não é inédita, mas ganha contornos especiais considerando a amplitude das mudanças no primeiro escalão do governo federal.

Nomes de peso na lista de saídas

Entre os ministros que devem deixar o governo estão figuras centrais da administração petista. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que tem mantido conversas com o presidente Lula sobre seu futuro político. Embora afirme não pretender se candidatar nas eleições municipais de outubro deste ano, Haddad não descartou completamente a possibilidade e é cotado pelo PT para concorrer ao governo de São Paulo ou a uma vaga no Senado.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tem planos definidos: ela será candidata a uma vaga no Senado pelo Paraná. Inicialmente, Gleisi planejava buscar a reeleição como deputada federal, mas ajustou sua estratégia a pedido do próprio presidente Lula. Ela foi eleita deputada em 2022 e se licenciou do mandato no ano passado para assumir a pasta responsável pela articulação política do governo.

Outro nome de destaque é o ministro da Educação, Camilo Santana, que deixou em aberto a possibilidade de sair da pasta até abril. Santana argumenta que o cargo ministerial o distancia do Ceará, estado que governou e do qual foi eleito senador em 2022. Caso deixe o governo, seu objetivo declarado é trabalhar nas campanhas de reeleição de Lula e do governador cearense Elmano de Freitas.

Estratégia de ampliação da base aliada

O governo avalia como fundamental a ampliação de sua bancada no Congresso Nacional, especialmente no Senado Federal, visando um eventual quarto mandato de Lula. A Casa Alta desempenha funções cruciais no sistema político brasileiro, incluindo a sabatina e aprovação de indicações ao Supremo Tribunal Federal e a análise de processos de impeachment contra magistrados.

Manter a predominância de cadeiras aliadas ao governo no Senado é visto como uma forma de reduzir solavancos e garantir maior estabilidade para a administração federal. No próximo ano, cada estado terá direito a eleger dois senadores, totalizando 54 cadeiras em disputa – o que equivale a dois terços da Casa.

Lista completa de movimentações previstas

Além dos nomes já mencionados, diversos outros ministros devem deixar o governo para disputar eleições:

  • Casa Civil: Rui Costa (PT) deve ser candidato ao Senado pela Bahia
  • Desenvolvimento, Indústria e Comércio: Geraldo Alckmin (PSB) deve ser candidato à reeleição como vice-presidente
  • Transportes: Renan Filho (MDB) deve ser candidato ao governo de Alagoas
  • Esporte: André Fufuca (PP) deve concorrer ao Senado
  • Portos e Aeroportos: Silvio Costa Filho (Republicanos) planeja ser candidato ao Senado por Pernambuco
  • Planejamento: Simone Tebet (MDB) é cotada para disputar uma vaga ao Senado por São Paulo
  • Meio Ambiente: Marina Silva (Rede) é cotada para disputar uma vaga ao Senado
  • Agricultura: Carlos Fávaro (PSD) será candidato à reeleição para o Senado por Mato Grosso
  • Empreendedorismo: Marcio França (PSB) planeja se candidatar ao governo de São Paulo
  • Minas e Energia: Alexandre Silveira (PSD) avalia ser candidato ao Senado por Minas Gerais

Outros ministros também devem se desincompatibilizar para concorrer a cargos legislativos estaduais e federais, completando a lista de mais de vinte saídas previstas. Essa movimentação em massa representa um desafio logístico e político para o governo, que precisará recompor seu primeiro escalão em meio ao processo eleitoral.

A renovação ministerial forçada pelo calendário eleitoral cria uma janela de oportunidade para o governo realinhar sua equipe e estratégias, mas também impõe a necessidade de manter a governabilidade durante um período de transição significativa. Os próximos meses serão decisivos para definir o novo perfil do ministério e as bases políticas do governo para o restante do mandato e para a campanha eleitoral que se aproxima.