Lula intensifica pressão por Pacheco como candidato ao governo mineiro
Em uma movimentação política estratégica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus aliados mais próximos continuam insistindo fortemente na candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao governo do estado de Minas Gerais. A busca por um palanque eleitoral sólido no segundo maior colégio eleitoral do país tem motivado conversas intensas nos bastidores do poder.
Diálogos constantes e expectativa de novo encontro
Segundo fontes próximas ao senador, ministros do governo federal têm procurado Pacheco com frequência nas últimas semanas, reforçando o interesse de Lula em tê-lo como candidato. Há expectativa concreta de um novo encontro entre o presidente e o senador no final de janeiro ou início de fevereiro, quando Lula tentará convencer definitivamente o ex-presidente do Senado a entrar na disputa eleitoral.
Em encontro realizado no final do ano passado, Pacheco sinalizou a possibilidade de se afastar da vida pública, mas deixou uma porta entreaberta ao afirmar que ainda faria algumas reflexões e desejaria conversar com aliados antes de tomar uma decisão definitiva. Essa abertura mínima foi suficiente para que Lula mantivesse esperanças de convencê-lo, conforme relatou um aliado do senador.
Preferência presidencial gera impasse no STF
A insistência de Lula em Pacheco como seu nome preferido para Minas Gerais acabou criando um impasse político significativo. Enquanto aliados do senador esperavam que ele fosse indicado para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, o presidente optou por nomear Jorge Messias, atual advogado-geral da União.
Essa decisão reforçou a percepção de que Lula realmente deseja Pacheco na disputa pelo governo mineiro, priorizando a estratégia eleitoral sobre outras possibilidades de carreira para o senador. O presidente já se referiu publicamente a Pacheco como futuro governador em eventos realizados em Minas Gerais, deixando clara sua preferência.
Mudança partidária em avaliação
Independentemente da decisão sobre concorrer ou não ao governo, aliados de Pacheco confirmam que o senador tem a intenção de deixar o PSD e buscar filiação em outro partido de centro. Entre os motivos para essa possível mudança está o desconforto com o que interlocutores chamam de guinada à direita da sigla em Minas Gerais.
Essa guinada ficou evidente com a filiação, no ano passado, de Mateus Simões, vice-governador de Minas Gerais e aliado do governador Romeu Zema. Simões deve ser justamente o candidato do PSD ao governo mineiro, o que criaria um conflito direto caso Pacheco permaneça no partido.
Possíveis destinos partidários
Entre as siglas cogitadas para receber Pacheco estão:
- União Brasil do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), aliado histórico de Pacheco
- PSB, partido com tradição em Minas Gerais
- MDB, embora neste caso possa haver resistência interna
No MDB, especificamente, já existe um pré-candidato ao governo mineiro: o ex-vereador Gabriel Azevedo. Fontes da cúpula do partido alertam que seria uma descortesia Pacheco tentar uma candidatura sem antes conversar com Azevedo, já que os dois mantêm bom relacionamento.
Timing e implicações da decisão
A avaliação de interlocutores próximos a Pacheco é que a mudança partidária só se torna urgente caso ele decida realmente se candidatar. Nesse cenário, haveria necessidade imediata de trabalhar na construção de bases políticas e na definição de alianças locais, processos que exigem tempo e planejamento.
Essas fontes lembram ainda que a troca de partido terá implicações significativas também no Senado Federal, onde Pacheco poderia reforçar o tamanho de alguma bancada específica, alterando o equilíbrio de forças na Casa. A decisão do senador, portanto, envolve múltiplas dimensões – estadual, partidária e nacional – que ele precisa ponderar cuidadosamente nas próximas semanas.