Lula defende estrutura ministerial e associa quantidade à competência do governo
Em meio ao caminho para as eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu a críticas sobre o alto número de ministérios em sua gestão. Durante um evento realizado no Sul do país, o petista argumentou que a multiplicidade de pastas é essencial para representar os movimentos da sociedade brasileira e reflete a competência técnica do Executivo Federal.
Declarações do presidente em evento no Sul
Lula afirmou, de forma indireta, que a redução no número de ministérios não significa economia, mas sim incompetência. "Alguém dizia que quanto menos ministérios você tem, menos gastos você tem. Eu vou dizer: quanto menos ministérios você tem, mais incompetente você é, porque você precisa colocar os movimentos da sociedade brasileira", declarou o presidente. Ele exemplificou com o caso do Ministério da Pesca, ressaltando que antes da criação dessa pasta, a atividade era tratada pela Agricultura, o que considerou inadequado.
Contexto histórico e comparações com governos anteriores
A atual gestão de Lula, com 39 ministérios, iguala-se ao governo de Dilma Rousseff (2011-2016) como o maior desde a redemocratização. Em contraste, todos os outros governos pós-regime militar operaram com menos de 30 pastas. Ao assumir seu terceiro mandato em 1º de janeiro de 2023, Lula começou com 21 ministérios, mas rapidamente expandiu essa estrutura no primeiro ano.
Expansão ministerial e acomodação política
A criação de novos ministérios foi articulada com o objetivo claro de acomodar aliados políticos, especialmente do Centrão. Exemplos incluem:
- André Fufuca (PP) nomeado para o Ministério dos Esportes, que havia sido extinto durante o governo de Jair Bolsonaro.
- Silvio Costa Filho (Republicanos) designado para o recém-criado Ministério de Portos e Aeroportos.
Especulações sobre desmembramento e impacto na gestão
As declarações de Lula ocorrem em um momento de especulações sobre o possível desmembramento do Ministério da Justiça e Segurança Pública em duas pastas separadas: uma para Justiça e outra para Segurança Pública. Essa cogitação, mencionada pelo próprio presidente, foi um dos fatores que levaram o ex-ministro Ricardo Lewandowski a deixar o cargo, destacando as tensões internas na administração federal.
Em resumo, a defesa de Lula sobre a estrutura ministerial visa justificar os gastos e a expansão como necessários para uma gestão competente e inclusiva, enquanto críticos apontam para motivações políticas e aumento de custos.