Confusão política em Minas: Kassab cria embate ao dar legenda para três presidenciáveis
Kassab cria confusão em MG ao dar legenda para três presidenciáveis

Confusão política em Minas Gerais: Kassab cria embate ao dar legenda para três presidenciáveis

A decisão do PSD de ter um candidato próprio à Presidência da República em 2026 está gerando um embate político significativo em Minas Gerais. O presidente do partido, Gilberto Kassab, anunciou que o PSD lançará uma candidatura presidencial, o que colide diretamente com a articulação de direita que vinha sendo construída no estado.

Lealdade em jogo: vice-governador reafirma apoio a Zema

O vice-governador de Minas Gerais, Matheus Simões, que é pré-candidato ao governo do estado pelo PSD, declarou publicamente seu apoio incondicional ao governador Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo Novo. Em resposta a VEJA, Simões foi enfático: “Estarei sem dúvida ao lado de Zema, o que é condição prévia da minha filiação [ao PSD]. Em Minas, o PSD caminha com Zema”.

Essa posição contraria a orientação de Kassab, que afirmou em evento na Bolsa de Valores de São Paulo: “Em Minas Gerais, o PSD é o maior partido do estado e vai apoiar o nosso candidato [à Presidência]”. A situação expõe uma divergência estratégica dentro do partido, que pode impactar as alianças políticas em Minas.

Articulação de direita em risco

Matheus Simões lidera uma ampla articulação de direita em Minas Gerais, que reúne partidos como:

  • PSD
  • Novo
  • PL
  • PP
  • União Brasil

Há ainda expectativas de agregar o Republicanos a essa coalizão. No entanto, a decisão de Kassab de ter um candidato presidencial próprio ameaça a coesão dessa aliança, já que Simões insiste em apoiar Zema para o Planalto.

Justificativas de Kassab e cenários nacionais

Questionado sobre a possibilidade de um palanque duplo em Minas Gerais – apoiando tanto Zema quanto o candidato do PSD –, Kassab desconversou. Ele citou exemplos de São Paulo e Rio de Janeiro, onde situações semelhantes ocorrem, mas reconheceu a singularidade do caso mineiro: em nenhum dos dois estados há uma relação de lealdade tão direta entre vice e governador como entre Simões e Zema.

O PSD possui três pré-candidaturas à Presidência:

  1. Eduardo Leite (RS)
  2. Ronaldo Caiado (GO)
  3. Ratinho Jr. (PR)

O partido garante que lançará uma delas em breve, o que deve intensificar os embates internos nos próximos dias.

Perspectivas para Matheus Simões

Apesar das dificuldades, Kassab expressou otimismo em relação ao crescimento de Matheus Simões nas pesquisas. Ele argumentou que candidatos à majoritária pela primeira vez costumam demorar a ganhar visibilidade e que Simões, como “bom gestor e pessoa séria”, tem potencial para crescer quando a campanha efetivamente começar.

Atualmente, Simões é um dos pré-candidatos que menos pontuam nas pesquisas de intenção de voto em Minas Gerais, geralmente ficando abaixo dos 5%. No entanto, sua posição como vice-governador e sua liderança na articulação de direita lhe conferem influência política significativa, independentemente dos números iniciais.

Este cenário revela as complexidades da política brasileira em ano eleitoral, onde lealdades pessoais, estratégias partidárias e ambições individuais se entrelaçam de maneira por vezes contraditória. O desfecho desse embate em Minas Gerais poderá ter repercussões importantes para as eleições de 2026 em todo o país.