Haddad expõe ausência de diálogo entre BC e Fazenda na gestão anterior
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez uma declaração impactante nesta quinta-feira (29), revelando que não existiu qualquer tipo de diálogo entre o Banco Central (BC) e o Ministério da Fazenda durante a gestão do ex-presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto. A afirmação surge em meio a um procedimento interno aberto pelo BC em novembro do ano passado, que investiga possíveis falhas no processo de fiscalização e na liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição financeira ligada a Daniel Vorcaro.
Auditoria sigilosa investiga atrasos na ação do BC
A medida investigativa foi determinada pelo atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, logo após a decretação da liquidação extrajudicial do banco. O processo, que permanece em sigilo absoluto dentro do BC, teve seus detalhes revelados somente nesta quinta-feira. Conforme informações obtidas pelo blog da Ana Flor, no portal g1, o foco principal da auditoria está nas ações e omissões ocorridas durante o período em que Roberto Campos Neto esteve à frente do órgão, desde 2019.
Apesar de existirem questionamentos por parte das defesas de ex-gestores do Banco Master, que alegam que a liquidação teria sido precipitada, a linha central de trabalho da auditoria sugere que havia elementos suficientes para que a medida fosse adotada em um momento anterior. Isso indica uma possível demora na atuação da área técnica do BC em detectar o crescimento das operações de risco da instituição financeira.
Haddad detalha a ruptura na comunicação e a gravidade do caso
Questionado diretamente sobre o assunto, Haddad foi enfático ao afirmar: "Não houve diálogo do BC com a Fazenda a não ser a partir da posse do [atual presidente, Gabriel] Galípolo." O ministro explicou que, assim que Galípolo assumiu o cargo, percebeu imediatamente a complexidade e a seriedade da situação. "Ele viu que a situação era muito grave, em poucos meses envolveu Ministério Público e Polícia Federal porque havia suspeitas de fraude em carteiras", destacou Haddad.
O ministro da Fazenda foi além, deixando claro que o caso transcende questões de má gestão, adentrando o campo criminal. "E quando você detecta uma fraude, que envolveu o Banco de Brasília, o BRB, aí não tem muito como manter no interior do Banco Central o problema. Você não está falando de má gestão, você está falando de crime", reforçou.
Narrativas conflitantes e desconhecimento sobre Vorcaro
Haddad também foi interrogado sobre um suposto encontro com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O ministro negou veementemente, afirmando que "sequer conhecia a imagem dele". Ele admitiu, no entanto, que estava ciente dos problemas do banco, mas que existia uma disputa de narrativas em torno do caso.
"Alguns diziam que era uma grande instituição financeira que estava surgindo e isso estava incomodando a concorrência, e outros dizendo isso não é sustentável, vai estourar", relatou Haddad. Segundo ele, essa ambiguidade se dissipou rapidamente com a atuação de Gabriel Galípolo, que, ao se debruçar sobre o assunto, percebeu a real dimensão do problema.
A auditoria, que é sigilosa, teve início logo após a liquidação do Banco Master, no ano passado. Seu objetivo principal, de acordo com informações do blog Valdo Cruz, é esclarecer os motivos que levaram a área técnica do BC a demorar para identificar o aumento exponencial das operações de risco do Banco Master. Este caso continua em atualização, com desdobramentos que podem impactar a relação entre as instituições financeiras e regulatórias no país.