Eduardo Bolsonaro Escancara Divisão da Direita para 2026
Divisão na Direita: Eduardo Bolsonaro e Críticas Internas

Divisões na Direita se Acentuam Após Críticas a Eduardo Bolsonaro

As tensões internas no campo conservador brasileiro ganharam um novo capítulo nesta semana, com declarações contundentes do presidente do Republicanos, Marcos Pereira. Em entrevista, Pereira criticou duramente a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro e relativizou a ideia de que a direita já estaria unificada em torno do senador Flávio Bolsonaro para a disputa presidencial de 2026.

Críticas Diretas e a Fragilização do Campo Conservador

Marcos Pereira afirmou que "não está tudo certo" dentro da direita e que o apoio a Flávio Bolsonaro segue dividido. O dirigente classificou como "arrogante e deselegante" a fala de Eduardo Bolsonaro, que se referiu ao governador Tarcísio de Freitas como "apenas um servidor público". Pereira rebateu que o próprio deputado também exerce um cargo público como escrivão da Polícia Federal.

Para o cientista político e professor do Ibmec, Adriano Cerqueira, o episódio apenas confirma uma tensão antiga. "Marcos Pereira nunca escondeu o incômodo com o clã bolsonarista", destaca o especialista, lembrando que em outros momentos o presidente do Republicanos já sinalizou a intenção de lançar candidatura própria à Presidência.

Flávio Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas: A Indefinição Presidencial

A falta de consenso sobre um nome único fragiliza a direita eleitoralmente. Cerqueira alerta que "a fragmentação abre espaço para cenários perigosos, como o de vitória de Lula já no primeiro turno", algo que algumas pesquisas passaram a indicar. Embora o governador paulista tenha reafirmado publicamente a intenção de disputar a reeleição em São Paulo, seu nome segue no radar como alternativa presidencial.

O cientista político explica que Tarcísio é visto por setores da centro-direita como um candidato mais "palatável" do que Flávio, sobretudo por apresentar menor rejeição fora do núcleo bolsonarista. Flávio, por sua vez, carrega o peso do sobrenome, mas as pesquisas mais recentes mostram queda consistente na sua rejeição, que já esteve acima de 60% e hoje gira em torno de 50%.

Cenário Eleitoral para 2026: Segundo Turno Competitivo

Adriano Cerqueira é cético em relação à hipótese de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno. Para ele, trata-se de um cenário improvável, sobretudo porque o presidente nunca conseguiu esse feito nem mesmo em condições eleitorais mais favoráveis, como em 2022. "Lula inicia 2026 em situação mais difícil do que na eleição passada", observa o professor, reforçando a expectativa de um segundo turno competitivo.

Apesar da multiplicidade de pré-candidaturas – que pode incluir nomes como Ratinho Júnior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado –, Cerqueira avalia que há um entendimento tácito no campo conservador: apoiar quem chegar ao segundo turno contra Lula. Nesse contexto, Flávio Bolsonaro tenta se apresentar como um "Bolsonaro moderado", apostando em diálogo com partidos de centro e numa atuação parlamentar menos confrontacional.

"É o Bolsonaro 'paz e amor'", resume Cerqueira, ao afirmar que esse será o principal desafio do senador nos próximos meses. As divisões expostas por Eduardo Bolsonaro e as críticas de Marcos Pereira evidenciam que o caminho até 2026 será marcado por intensas negociações e definições estratégicas dentro da direita brasileira.