Turista gaúcha presa por racismo em Salvador após agredir comerciante negra
A gaúcha Gisele Madrid Spencer César, de 50 anos, foi presa em flagrante na última quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, por cometer um ato de racismo contra uma comerciante em Salvador, capital da Bahia. O caso, que chocou a população local e ganhou repercussão nacional, ocorreu durante uma festa no histórico bairro do Pelourinho, um dos principais pontos turísticos da cidade.
Agressão sem motivo aparente e cuspe no rosto da vítima
Segundo informações da Polícia Civil da Bahia, Gisele Spencer passou pela comerciante Hanna, que trabalhava vendendo bebidas no evento, e iniciou uma série de ofensas de cunho racista. A turista não teve qualquer interação prévia com a vítima, conforme relatado por Hanna em entrevista à TV Bahia. A agressão culminou com Gisele cuspindo diretamente no rosto da comerciante negra, acompanhado de xingamentos como "lixo".
Hanna detalhou que, ao passar pela gaúcha, ouviu a frase "Lá vai mais um lixo" e, em seguida, a agressora olhou fixamente em seus olhos e repetiu "eu sou branca". Após o ataque, Gisele tentou fugir do local, mas foi rapidamente detida por seguranças da festa e encaminhada para a delegacia.
Exigência por delegado branco na delegacia especializada
Ao ser levada à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e Intolerância Religiosa (Decrin), a turista continuou demonstrando comportamento discriminatório. Ela solicitou atendimento exclusivo por um delegado de pele branca, conforme destacado em comunicado oficial da polícia. Essa exigência reforçou a gravidade do caso e a persistência de atitudes racistas mesmo diante das autoridades.
O episódio ganhou contornos ainda mais impactantes ao considerar que, ao longo da semana, Gisele Spencer havia participado da festa da Lavagem do Bonfim, uma cerimônia ligada a religiões de matriz africana. Em suas redes sociais, ela publicou fotos com baianas vestidas em trajes da cultura negra e com grupos de afoxé, contrastando com suas ações violentas.
Audiência de custódia e possíveis consequências legais
A audiência de custódia de Gisele Spencer foi marcada para a manhã de sexta-feira, 23 de janeiro, em Salvador. Até o momento da publicação desta reportagem, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) ainda não havia divulgado se a prisão em flagrante foi mantida ou se a acusada responderá ao processo em liberdade.
Vale ressaltar que, pelo Código Penal brasileiro, o crime de injúria racial é considerado imprescritível e prevê pena de dois a cinco anos de prisão, sem possibilidade de pagamento de fiança. Isso significa que a acusada pode enfrentar consequências severas, independentemente do tempo decorrido desde o fato.
O caso serve como um alerta para a persistência do racismo estrutural no Brasil e a importância de combater tais atitudes, especialmente em um contexto turístico e cultural como o de Salvador, cidade conhecida por sua rica herança afro-brasileira.