Placa em rodovia homenageia vítima de feminicídio em Sumidouro
Um trecho da rodovia RJ-242, no município de Sumidouro, na Região Serrana do Rio de Janeiro, recebeu oficialmente o nome de Yasminny Couto Ribeiro. A placa comemorativa foi inaugurada nesta segunda-feira, 26 de agosto, em uma cerimônia carregada de emoção e simbolismo, realizada a poucos metros do local onde a jovem farmacêutica, de apenas 28 anos, foi brutalmente assassinada a tiros pelo ex-namorado, Willian Hottz da Silva, em fevereiro de 2023.
Homenagem viabilizada por mobilização comunitária
A iniciativa partiu de um abaixo-assinado organizado por amigos e vizinhos de Yasminny, que rapidamente ganhou apoio popular. Com a intermediação do deputado estadual Pedro Brazão, da União Brasil, o pedido foi encaminhado à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e aprovado em 2024. Assim, o trecho da rodovia entre as localidades de Soledade e Campinas passa a perpetuar a memória da vítima.
Família destaca importância simbólica do gesto
Em entrevista ao g1, o padrasto de Yasminny, José Carlos Barroso, expressou a dor contínua da família. "O assassino da nossa filha está preso, mas a dor continua. É um sofrimento que não passa e só parece aumentar", afirmou. Ele ressaltou que a homenagem e o carinho das pessoas são fundamentais para demonstrar o quanto Yasminny era querida e como a comunidade compartilha da perda.
A mãe da jovem, Nilda Agostinho, também falou sobre o significado emocional do ato. "Essa homenagem é muito justa e sincera. A comunidade se uniu para fazer algo simples e bonito por ela", disse. Durante a inauguração, Nilda discursou, enfatizando que a placa manterá viva a história da filha. "Minha filha nunca vai morrer. Essa homenagem é para sempre e vai manter a história dela viva. As crianças que nascerem vão saber que ela existiu e foi vítima de feminicídio, e que ninguém é dono de ninguém".
Dados alarmantes sobre feminicídio no Brasil
O caso de Yasminny reflete uma triste realidade nacional. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, 1.463 mulheres foram mortas vítimas de feminicídio no Brasil. Esse número vem crescendo ao longo dos anos, com uma média de aproximadamente quatro assassinatos por dia.
Laura Mury, presidenta e fundadora da organização Tecle Mulher, criticou a forma como a violência contra a mulher ainda é tratada. "Quando a mulher pede ajuda ou tenta registrar ocorrência, muitas vezes exigem provas, o que é muito difícil em casos de violência doméstica", explicou. Ela lembrou que, pela Lei Maria da Penha, não é necessário apresentar provas para denunciar ou solicitar medidas protetivas, e destacou a importância da punição dos agressores para preservar vidas.
Relembrando o crime que chocou Sumidouro
Yasminny Couto Ribeiro foi assassinada na noite de 2 de fevereiro de 2023, na Avenida João Faustino Lopes, em Sumidouro. Ela retornava do trabalho na farmácia onde atuava e seguia para casa, localizada em frente ao estabelecimento, quando foi surpreendida pelo ex-namorado próximo ao portão da residência.
Histórico de ameaças e busca por justiça
- O relacionamento entre Yasminny e Willian durou cerca de nove anos e terminou em outubro de 2019.
- Em 2019, ela fez o primeiro registro policial, relatando perseguição e intimidação.
- Dois meses depois, novos boletins de ocorrência apontaram difamação e ameaças contínuas.
- Em maio de 2020, a farmacêutica voltou a procurar as autoridades via delegacia on-line, afirmando que o ex-companheiro descumpriu medida protetiva e que as ameaças persistiam, deixando-a em constante medo.
De acordo com as investigações, Willian teria se escondido no quintal da casa e aguardado a chegada de Yasminny, atingindo-a com aproximadamente quatro tiros no rosto. Após o crime, ele fugiu para um clube familiar, onde abandonou a arma e um casaco, antes de ser localizado e preso em flagrante pela Polícia Militar. Willian confessou o assassinato e foi levado para a delegacia, onde aguarda julgamento.
A homenagem na RJ-242 serve não apenas como memorial, mas também como um alerta sobre a urgência de combater a violência de gênero e proteger mulheres em situação de risco.