Passista 'Barbie do Samba' enfrenta crise financeira após amputação e busca justiça
Alessandra dos Santos, conhecida como Barbie do Samba, voltou à Sapucaí em 2024, um ano após ter o braço amputado devido a complicações de uma cirurgia no útero realizada na Baixada Fluminense. No entanto, a passista enfrenta sérias dificuldades financeiras desde o ocorrido e entrou com uma ação judicial contra o Estado do Rio de Janeiro, pedindo indenização por danos morais e materiais, além de uma pensão.
Impacto na vida profissional e pessoal
"Estou sem chão, pois não posso mais trabalhar como trancista, que era o que ajudava muito em casa", desabafa Alessandra. Ela acrescenta que, se estivesse na sua profissão com o braço, já teria reformado a residência. "Perdi minha profissão", lamenta a passista, que desfila todos os anos na Grande Rio, mas não comparecerá ao carnaval deste ano por questões religiosas.
Enquanto isso, Alessandra sobrevive com o valor recebido do Loas, benefício concedido a pessoas com deficiência. "Minha casa é de telha, e estou vivendo com o benefício do Loas, sendo que com o meu trabalho eu faturava muito mais", conta. Ela relata ainda que os dedos da mão direita, que não sofreu amputação, ficaram dormentes, impedindo-a de trabalhar, e que o benefício não cobre todas as despesas. "Sem o Loas eu não tenho renda, agora também é meu direito porque por erro deles eu sou PCD", afirma.
Processo judicial em fase inicial
A amputação ocorreu em 2023, mas o processo judicial está em fase inicial, sem previsão de conclusão. "Infelizmente, como é de conhecimento público, o trâmite judicial no Brasil costuma ser demorado, de modo que não é possível, neste momento, prever um prazo para a sua conclusão", explica a advogada Bianca Kald. "O processo judicial em si ainda é muito recente. Neste momento, encontra-se na fase de conhecimento, que é justamente a etapa inicial em que se produzem provas e se formam os elementos necessários para o julgamento do mérito", acrescenta.
Retorno emocionante à Sapucaí
Alessandra se emocionou ao retornar à Sapucaí em 2024, após duvidar se voltaria a sambar. "Eu estou muito emocionada porque depois que tudo que aconteceu eu achei que não faria mais nada, eu achei que não voltaria a sambar, nem ir na quadra. E hoje eu estou aqui, e ainda volto domingo na Grande Rio", disse ela na época. A passista começou na Inocentes de Belford Roxo aos 14 anos e retornou como musa, um sonho para qualquer passista.
Posicionamento da Secretaria de Saúde
A Secretaria Estadual de Saúde emitiu uma nota afirmando que apurou detalhadamente o caso. Segundo a pasta, a amputação foi necessária devido à gravidade do estado de saúde de Alessandra. A sindicância concluiu que todos os procedimentos adotados foram adequados ao quadro grave que ela apresentava e à evolução de seu estado. A Fundação Saúde se solidariza com a paciente e reforça que o atendimento foi prestado por equipes especializadas para preservar sua vida.
Os detalhes do caso incluem:
- Entrada na emergência em julho de 2020 com diagnóstico de miomatose uterina múltipla.
- Indicação de cirurgia para retirada de 17 miomas em novembro de 2022.
- Cirurgia realizada em 3 de fevereiro de 2023, com complicações pós-operatórias graves.
- Necessidade de histerectomia e tratamento intensivo para choque hemorrágico.
- Evolução com oclusão arterial no membro superior esquerdo, levando à amputação parcial após tentativas de reversão.
- Alta hospitalar em 16 de fevereiro de 2023, com orientação para acompanhamento ambulatorial.