Mulher muçulmana sofre injúria racial em supermercado de Barueri; caso é registrado
Muçulmana atacada com ofensas religiosas em mercado de Barueri

Mulher muçulmana registra boletim de ocorrência após injúria racial em supermercado de Barueri

Uma mulher muçulmana, de 38 anos, registrou um boletim de ocorrência por injúria racial após ser alvo de ofensas religiosas dentro de um supermercado localizado no Jardim Paulista, em Barueri, na Grande São Paulo. O incidente ocorreu no dia 23 de janeiro deste ano e foi registrado pela polícia, com a vítima buscando medidas legais contra o agressor.

Vídeo captura momento de agressão verbal e discurso de ódio

Um vídeo, feito pela irmã da vítima e enviado ao g1, mostra o momento em que a mulher aguardava atendimento na padaria do mercado. Um cliente, que havia finalizado seu atendimento, a abordou de forma hostil, apontando o dedo e proferindo frases como: "Muçulmano degola judeu e cristão em todo o mundo". Ao perceber que estava sendo filmado, o homem continuou com suas ofensas, afirmando: "Pode gravar, aqui é um cristão. Pode cortar meu pescoço, muçulmano. Não tenho medo de muçulmano".

No vídeo, é possível ouvir a irmã da vítima pedindo ajuda à equipe de segurança e aos funcionários do mercado, demonstrando a gravidade da situação e a necessidade de intervenção imediata.

Vítima relata medo e defende direitos constitucionais

Em entrevista ao g1, a vítima, que é brasileira e se tornou muçulmana após se casar com um libanês, expressou que o caso lhe causou muito medo. Ela destacou a importância de seus direitos constitucionais, afirmando: "Usar sua fé, suas roupas ou símbolos religiosos é um direito constitucional. Nada justifica agressões verbais, ameaças ou discurso de ódio. Ofender alguém em razão de sua religião é crime no Brasil. No meu caso, trata-se de intolerância religiosa, além de injúria qualificada".

Ela também relatou que, durante o incidente, informou ao agressor que ele estava cometendo um crime de intolerância religiosa e que acionaria uma viatura policial. Após essa declaração, o homem fugiu do local em uma motocicleta, deixando a vítima em estado de vulnerabilidade.

Suporte do mercado e ações legais em andamento

A equipe de segurança do estabelecimento prestou total suporte à vítima, orientando-a a registrar o boletim de ocorrência para que os fatos fossem narrados e as devidas providências tomadas. O boletim eletrônico foi encaminhado à unidade policial da área na segunda-feira, dia 26, para apreciação do delegado responsável.

Segundo o advogado de defesa Luis Junqueira, será feita uma representação na delegacia nos próximos dias para a abertura de um inquérito policial. Além disso, ele informou que entrará com um processo na área civil contra o homem, buscando reparação pelos danos causados. Até o momento, o suspeito não foi identificado, e o g1 tenta localizá-lo para obter sua versão dos fatos.

Contexto de intolerância religiosa no Brasil

Este caso se insere em um cenário mais amplo de intolerância religiosa no Brasil, onde incidentes semelhantes têm sido registrados. A vítima enfatizou a necessidade de combater discursos de ódio e proteger os direitos das minorias religiosas, reforçando que tais atos não apenas ferem indivíduos, mas também afetam a coesão social.

A polícia continua investigando o caso, e espera-se que as ações legais em curso possam levar à identificação e responsabilização do agressor, servindo como um exemplo contra a impunidade em crimes de ódio.