Menino de cinco anos e pai são libertados de centro de detenção nos EUA após ordem judicial
Liam Conejo Ramos, o menino de cinco anos que estava detido pelo Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), e seu pai, Adrian Conejo Arias, já retornaram para casa, em Minneapolis, no estado norte-americano de Minnesota. A libertação ocorreu após um juiz ter ordenado a soltura de ambos no sábado, encerrando um caso que gerou ampla comoção pública e críticas às políticas migratórias do governo.
Anúncio da libertação e retorno a Minnesota
O congressista democrata Joaquin Castro anunciou a libertação em uma publicação na rede social Facebook. “Ontem, Liam, de cinco anos, e seu pai Adrian foram libertados do centro de detenção de Dilley. Fui buscá-los ontem à noite e os acompanhei de volta a Minnesota nesta manhã”, escreveu o político. Ele acrescentou que “Liam está agora em casa”, “com seu chapéu e sua mochila”, referindo-se aos itens que se tornaram símbolos do caso. Castro também agradeceu aos apoiadores e enfatizou: “Obrigado a todos que exigiram a liberdade de Liam. Não vamos parar até que todas as crianças e famílias estejam em casa”.
Ordem judicial e contexto da detenção
No sábado, um juiz norte-americano ordenou que as autoridades libertassem o menino e o pai do centro de detenção no Texas. Eles foram levados para essa unidade após serem detidos em um subúrbio de Minneapolis, em um episódio que ganhou notoriedade nacional. As imagens de Liam, usando um chapéu com orelhas de coelho e uma mochila do Homem-Aranha, cercado por agentes do ICE, causaram indignação e alimentaram protestos contra a violenta perseguição a migrantes promovida pelo governo do presidente republicano Donald Trump.
O juiz distrital Fred Biery, nomeado pelo então presidente democrata Bill Clinton, foi incisivo em sua decisão. Ele afirmou que “o caso tem origem na pretensão mal concebida e aplicada de forma incompetente do governo de atingir metas diárias de deportação, mesmo que isso exija traumatizar crianças”. Vale destacar que outro juiz já havia decidido anteriormente que o menino e o pai não poderiam ser deportados dos Estados Unidos, pelo menos por enquanto, o que reforçou a base legal para a libertação.
Controvérsias e condições na detenção
O caso foi marcado por alegações controversas sobre a detenção. Vizinhos e funcionários da escola afirmam que os agentes federais de imigração de Minnesota usaram o menino como “isca”, pedindo que ele batesse à porta de casa para que a mãe abrisse. No entanto, o Departamento de Segurança Interna (DHS) classificou essa versão como uma “mentira abjeta”, argumentando que o pai fugiu a pé e deixou o menino dentro de um veículo com o motor ligado, em frente à residência da família.
Durante uma visita dos congressistas democratas Joaquin Castro e Jasmine Crockett em 28 de janeiro, o menino foi visto dormindo nos braços do pai. Adrian explicou que Liam estava frequentemente cansado e se alimentava mal no centro de detenção, que abriga cerca de 1.100 pessoas, segundo relatos de Castro. As famílias detidas têm denunciado condições precárias na unidade, incluindo:
- Vermes na comida
- Disputas por água potável
- Falta de atendimento médico adequado
Essas condições persistem desde a reabertura da unidade no ano passado, levantando sérias preocupações sobre os direitos humanos dos detidos.
Impacto e protestos
O caso de Liam desencadeou um protesto em frente ao centro de detenção familiar e motivou a visita dos dois congressistas democratas do Texas. Além disso, em dezembro, um relatório divulgado pelo ICE reconheceu que cerca de 400 crianças foram mantidas detidas no local por um período superior ao limite recomendado de 20 dias, evidenciando problemas estruturais no sistema de detenção migratória dos Estados Unidos.
A libertação de Liam e Adrian representa uma vitória simbólica para ativistas e defensores dos direitos dos migrantes, mas também destaca os desafios contínuos enfrentados por famílias em situação similar. O debate sobre as políticas de imigração e o tratamento dado a crianças e famílias permanece acalorado, com chamados para reformas que priorizem a dignidade e a segurança dos indivíduos.