Menino equatoriano de 5 anos detido pelo ICE nos EUA está ‘deprimido’, diz deputado
O menino equatoriano de cinco anos que foi detido em Minneapolis pelo ICE, a polícia migratória dos Estados Unidos, está "deprimido e triste", informou na quarta-feira 28 o deputado democrata Joaquín Castro após visitá-lo no centro de detenção em que o menor permanece com o pai. As imagens da detenção de Liam Conejo Ramos, que usava um gorro azul com orelhas de coelho e uma mochila do Homem-Aranha quando foi colocado sob custódia por um policial de imigração, rodaram o mundo e viraram um dos símbolos da revolta da população de Minneapolis com a presença de agentes federais na cidade.
Detenção e contexto das operações
O menino e seu pai foram detidos em 20 de janeiro durante as operações anti-imigração no estado de Minnesota ordenadas pelo governo de Donald Trump. Ao longo das últimas seis semanas em que o ICE e a CPB (patrulha de fronteiras) foram despachadas para lá, dois cidadãos americanos morreram baleados por agentes federais, provocando protestos por todo o país. Este incidente específico, envolvendo uma criança tão jovem, tem chamado atenção internacional e levantado questões sobre os métodos utilizados nas ações de imigração.
Temor pela saúde mental da criança
Castro visitou o menino de cinco anos e seu pai, Adrián Conejo Arias, no centro de detenção para famílias migrantes de Dilley, no Texas. "O pai diz que (o menino) não é o mesmo, que está dormindo muito porque está deprimido e triste", afirmou o representante democrata pelo Texas em um vídeo publicado no X (ex-Twitter). O congressista argumentou que a família está no país em situação legal — originários do Equador, eles se apresentaram a agentes da fronteira no Texas em dezembro de 2024 para solicitar asilo e aguardavam os trâmites em Minnesota — e que ambos deveriam ser liberados. "Estou preocupado com a saúde mental dele", acrescentou Castro.
Decisão judicial e protestos
Na terça-feira, um juiz federal bloqueou temporariamente a possibilidade de deportação de Liam e seu pai. Segundo a imprensa local, ambos têm um processo pendente em um tribunal de imigração. A justiça também impediu a transferência dos dois do centro de detenção de Dilley, local para onde são levadas famílias migrantes com filhos menores de idade detidas sob acusações de violação das leis de entrada no país. Mais de 100 pessoas protestaram na quarta-feira diante do centro de detenção, mas a manifestação foi dispersada com gás lacrimogêneo pelas forças de segurança, evidenciando a tensão em torno do caso.
Acusações de uso como "isca"
Liam foi pego com o pai na entrada de sua casa na região metropolitana de Minneapolis, após ele buscar o menino na pré-escola. O advogado da família acusou o ICE de, após a detenção de Adrián, usar a criança como "isca" para prender a mãe, que estava em casa mas não abriu a porta pelo temor de ser também presa, e teria "implorado" que deixassem Liam com um vizinho. Um agente "o levou até a porta e o instruiu a bater, pedindo para entrar, a fim de verificar se havia mais alguém em casa — essencialmente usando uma criança de 5 anos como isca", disse o advogado.
Resposta das autoridades
A agência federal, por sua vez, sustentou que o menino foi "abandonado" pelo pai, a quem acusou de tentativa de fuga no momento da prisão. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) afirmou ainda que o próprio pai pediu que o filho ficasse com ele. Liam foi pelo menos a quarta criança a ter sido detida em operações em Minnesota, que costumam visar um ou ambos os pais. As outras têm entre 10 e 17 anos, indicando um padrão preocupante de envolvimento de menores em ações de imigração.
Este caso tem gerado ampla discussão sobre os direitos humanos e o tratamento de famílias migrantes nos Estados Unidos, especialmente em um contexto político polarizado. A situação de Liam continua a ser monitorada de perto por defensores dos direitos dos imigrantes e autoridades, enquanto a família aguarda a resolução de seu processo legal.